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Archive for the ‘negócios’ Category

Li há poucos dias o livro Rework, de Jason Fried e David Hanson, sócios da empresa de software como serviço 37Signals. Há tempos acompanho o trabalho deles. Gosto dos produtos (usamos Basecamp na AgriPoint) e gosto ainda mais da postura e das ideias sobre negócios, vida profissional e produtividade. O livro é muito bom. Tem algumas partes um pouco repetidas, em especial para quem le o blog deles sempre e já leu Getting Real, o primeiro livro deles.

Abaixo minhas anotações dos pontos que mais gostei.

  • Ignore o mundo real. Muita gente vai te dizer que sua ideia não vai dar certo, pois a realidade é assim/assado, blablabla. Se você não for nem um pouco contra a maré, contra todo mundo, dificilmente criará algo inovador.
  • Planejamento é achismo. Essa é a mais polêmica do livro. Eles falam que planejamento precisa ser encarado como um achismo. Quando planejamos usamos muitos pressupostos que não sabemos se é verdade ou não. Encarar como achismo nos faz melhor. Eu acredito muito em planejamento, mas concordo com eles. As coisas mudam muito rápido e você achar que tudo vai se manter estável como no papel, é acreditar em duendes.
  • Deixe uma marquinha no mundo. Se você vai começar algo, trabalhe para deixar uma pequena marca sua no mundo. Faça algo que faça mesmo a diferença. Acredito muito nisso e relembrar sempre é bom.
  • Coce sua coceira. Ao desenvolver um produto, procure atender uma necessidade sua. Assim é muito mais fácil dar certo. Concordo plenamente.
  • Seja leve. Não invista muito, comece pequeno, sem investimentos grandes, custos fixos. Você não sabe como as coisas vão se sair e cada dia é possível começar com menos. Criar uma lista enorme de coisas que você precisa antes de começar é uma desculpa. Você pode começar sozinho, na sua casa, sem escritório, sem equipe. Leve.
  • Ao lançar um produto, pense o que é realmente essencial. Pense na salsicha do cachorro quente. Um hot dog sem salsicha não é hot dog, mas pode não ter batata palha, e outras coisas.
  • Foque no que não muda. As bases do seu negócio estão em coisas duradouras, ou apenas numa modinha passageira? Simplicidade, funcionalidade estão sempre demandadas, pro exemplo.
  • Venda seus subprodutos. O melhor exemplo é o próprio livro deles. Ganham dinheiro vendendo um livro (e dando palestras) ensinando e falando sobre como eles tocam o negócio deles. Por experiência própria, isso funciona.
  • Vá dormir. Pouco sono diminui sua criatividade, aumenta sua teimosia e irritação. Concordo, apesar de nem sempre dormir cedo. No livro Happiness Project tem uma frase ótima: sleep is the new sex.
  • Listas longas de coisas a fazer não funcionam e te frustram. Tenha uma lista pequena das coisas mais importantes que você tem que fazer hoje, essa semana.
  • Coloque você dentro do seu produto. Assim fica impossível copiarem o que você faz. Dá credibilidade, personalidade e alma ao seu negócio. Acredito muito nisso e quero fazer isso mais e mais.
  • Não copie seus concorrentes. Foque nos seus clientes. Aprenda com eles.
  • Ensine. É uma das melhores formas de marketing. Faça como os chefs de cozinha: vendem livros com as receitas completas dos seus restaurantes. Nem por isso a concorrência aumenta. Os chefs fazendo isso, se diferenciam e se tornam ainda mais especiais e únicos.
  • Construa uma audiência. Ensinando, cada dia você terá mais gente que acompanha seu trabalho. Uma audiência que gosta de você, vai te indicar clientes e vai comprar de você. Eles são os reis nessa área.
  • Aprenda a fazer a função que você quer contratar alguém. Na dúvida entre dois candidatos, contrate aquele que escreve melhor. Ele pensa melhor.
  • Quando algum pepino acontecer com sua empresa, seja o primeiro a contar. E saiba pedir desculpas. “Me desculpe” sincero é muito mais valioso do que “Lamentamos o inconveniente… blablabla…”.
  • Seja você mesmo. Dá originalidade e personalidade ao seu negócio. Convide seus clientes a conhecerem o backstage do seu negócio. Isso é uma coisa que quero fazer mais.
  • Tudo é marketing. Lembre-se disso. Tudo.
  • Cultura de uma empresa não é criada. É o subproduto de um comportamento consistente. Seja ele qual for. Concordo. Por isso é tão difícil construir uma grande cultura.
  • Inspiração é perecível. Comece. Se você teve uma grande ideia, comece agora. Até por isso estou escrevendo esse post agora :-)

Como bônus, o livro tem uma série de ilustrações do ótimo Mike Rohde, um desenhista de mão cheia, que há tempos admiro. Ele faz resumos de palestras desenhados que são uma loucura.

Christian Barbosa, meu amigo e grande especialista em gestão do tempo me convidou a fazer uma resenha em mapa mental para o site dele. Quando ele publicar, coloco o link por aqui.

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Leo Kuba e eu estamos lançando um videopodcast mensal sobre negócios, empreendedorismo, internet e vida digital (seja lá o que isso for rs..). A ideia surgiu numa cnversa com o Leo, ele me convidou e eu topei na hora. O vídeo acima é o episódio #000. Assista e de sua opinião.

Nas gravações ainda não sabíamos o nome que o programa iria ter. Falamos de muitas coisas, demos risadas, falamos bobagens. Foi bem divertido. E falamos de muitas coisas que acreditamos também.

Uma das coisas foi a citação do discurso Man in the Arena, feito pelo presidente nos EUA, Theodore Roosevelt. O básico desse discurso é o valor da pessoa que está no meio da arena, lutando, dando a cara para bater. Se arriscando, podendo ganhar, podendo perder. Há muito mais valor nisso do que quem está na platéia comentando, criticando, avaliando. Falamos sobre isso entre as gravações, de que é muito mais importante e valioso estar na “briga” do que ser o doutor da vida, comentando e criticando tudo, sem fazer, sem realizar. Durante a semana, depois da gravação, Luiz Murillo, um amigo nosso que entende de vídeo, sugeriu: que tal dar o nome do videopodcast de Man in the Arena? Topamos na hora. Pareceu um nome que estava esperando ser descoberto. E já criamos a hashtag #MitA.

Aproveitando esse primeiro vídeo, que fizemos totalmente no espírito #MitA, ou seja, não está perfeito, mas estamos lutando, trabalhando, faço abaixo alguns comentários sobre negócios que acredito e que estão alinhados com o #MitA. Provavelmente nem tudo o Leo Kuba vai concordar, mas acredito que ele vai fazer os comentários dele também.

  • Faça, comece. O momento certo nunca vai chegar. Você vai ser novo demais, ou velho demais. Terá pouco dinheiro, ou pouco tempo.
  • Esqueça os críticos. Acredite em você. Tem muita gente especialista em afundar os sonhos dos outros.
  • Escute os críticos, procurando tirar o que tem de melhor, aprender alguma coisa.
  • Trabalhe em algo que vale a pena. Em algo que você acredita.
  • Esteja preparado para “apanhar”. As coisas dão errado, você rejeitado. Suas ideias são reprovadas. É preciso persistência. É preciso continuar, mesmo que cansado, desanimado.
  • Siga em frente. O sucesso é ir de fracasso em fracasso sem desanimar, já disse Churchhill, que teve seu grande sucesso depois dos 60 anos.
  • Não espere muito dos outros. Ninguém vai te dar nada. Tudo que é seu, você que terá que pegar, que conquistar.
  • É claro que se você tiver esse espírito, você vai conhecer muita gente boa, que vai te ajudar, te ensinar, te animar. Os verdadeiros amigos valem ouro.
  • Procure se divertir. Trabalhe duro, mas aproveite. Se você gosta do que faz e acredita no seu negócio isso não vai ser tão difícil quanto parece.
  • Tenha uma causa, um mantra. Trabalhar por algo maior do que apenas o dinheiro e te ajuda a ir sempre mais longe, quando você não ganha nada e também quando o negócio já dá resultado financeiro.

Obrigado Leo pelo convite. E vamos aos próximos. Nosso amigo Edu Carvalho acompanhou a primeira gravação e já blogou o vídeo antes de mim. Até o Techcrunch já usou esse discurso.

Leia o trecho mais famoso do discurso:

It is not the critic who counts; not the man who points out how the strong man stumbles, or where the doer of deeds could have done them better. The credit belongs to the man who is actually in the arena, whose face is marred by dust and sweat and blood; who strives valiantly; who errs, who comes short again and again, because there is no effort without error and shortcoming; but who does actually strive to do the deeds; who knows great enthusiasms, the great devotions; who spends himself in a worthy cause; who at the best knows in the end the triumph of high achievement, and who at the worst, if he fails, at least fails while daring greatly, so that his place shall never be with those cold and timid souls who neither know victory nor defeat.

Você também pode ver o vídeo no Blip.tv e/ou baixar o arquivo.

[blip.tv ?posts_id=3359360&dest=-1]

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A Apple anunciou ontem o iPad, seu tablet, muito esperado por todos. O evento em si foi uma demonstração de marketing muito bem coordenado, desde o convite que não anunciava o que seria mostrado até a intensa cobertura na internet sobre o evento. Sou fã da Apple, uso iPhone e Macbook Pro e também gosto muito do Kindle, que foi declarado morto ontem por muitos.

Veja meus comentários sobre iPad, Apple, Kindle e outros possíveis impactos e me diga o que achou. Primeira pergunta: quero um? Sim, claro!

  • A Apple está sabendo usar excepcionalmente bem o que já construiu com produtos anteriores. O iPhone se beneficiou muito do iTunes store que antes vendia só musica e filmes para iPods e agora vende programas. Com o iPad todo esse ecossistema de apps para iPhone se torna mais útil e mais interessante.
  • Produto x Plataforma. A Apple se torna uma plataforma cada vez mais poderosa. Mais de 130 milhões de pessoas têm conta iTunes, com cartão de crédito conectado. Cada vez mais gente quer entrar nessa roda. Mais fácil para gastar dinheiro, e mais fácil para ganhar dinheiro. O interesse por desenvolver aplicativos para promover marcas ou para ganhar dinheiro vai aumentar. As empresas de celulares dormiram no ponto há tempos e parece que a Amazon demorou demais para abrir seu sistema Kindle para desenvolvedores externos.
  • Esse fator plataforma faz com que a força do iPhone e do iPod touch aumente, por incrível que pareça, uma vez que mais gente vai usar/acessar/comprar/pagar os serviços da iTunes e App stores.
  • Faz cada dia mais sentido lançar uma app do seu site, da sua empresa, do seu produto. As empresas/produtos de construções de apps para iPhone/iPad vão ter sua demanda muito aumentada. Eu quero ter uma app do meu blog, da minha empresa, dos nossos portais.
  • A Apple também está cada vez mais conseguindo vender computadores para quem acha que não gosta/entende de computadores. Simples, bonito e funcional atrai muita gente.
  • Um dos grandes problemas da Apple: é muito fechada, muito travada. O sistema do iPhone/iPad é muito mais travado do que de computadores até mesmo como os da própria Apple. Um sistema mais aberto, quem sabe baseado em Android para celulares e tablets possa ameaçar o poderio da Apple. Mas precisa ser algo fácil de usar, coisa que Apple e Google sabem fazer. E na minha opinião, Microsoft e Nokia não sabem, por exemplo.
  • Participação de mercado. Em computadores, ela detém uns 5% do mercado. Com iPhone e iPad pode aumentar sua participação até no mercado de computadores
  • Acho que vai ser um produto matador para anotações em reuniões, com texto, rabiscos e mapas mentais. Será um excelente substituto para agendas e planners. Taí uma oportunidade/ameaça para os fazedores de agendas especializadas – comecem a pensar em construir uma app para iPhone/iPad.
  • Outro uso fantástico será a apresentação de produtos em feiras, reuniões. Pode ser uma excelente ferramenta de vendas, auxiliando vendedores face-a-face com o cliente. Quando vi o produto comecei a pensar como eu poderia usar isso no meu trabalho, e feiras de negócios e reuniões/negociações me pareceu a primeira opção.
  • Consumo de mídia: leitura de blogs, vídeos do youtube, filmes mais longos, visualizador de fotos (como disseram: matou os porta-retratos digitais). Vai ser o melhor uso e o mais comum. Li em uns 2-3 lugares que o iPad vai salvar a mídia tradicional (revistas, tv, etc).
  • Acaba com o Kindle? Eu acho que não, pois o Kindle é excepcional para leitura de livros longos. O que todo mundo diz que ninguém vai deixar de ler livros longos para ler um ebook no computador, eu concordo e acho que é a mesma linha: não dá para comparar a leitura de texto no Kindle com um computador ou no iPhone. A tecnologia E INK é fantástica. Se alguém quiser vender um Kindle DX baratinho, eu quero um :-) E a Amazon vai continuar vendendo livros eletrônicos. A app do Kindle para iPhone vai (deve) funcionar no iPad.
  • A meu ver uma clara reação ao iPad, a Amazon anunciou hoje que terá uma nova opção de contrato, pagando 70% para a editora. Uma grande mudança (antes eram apenas 35%), mesmo que com alguns pré-requisitos. A Apple cobra 30% de comissão para vender Apps e deve cobrar o mesmo pelos livros vendidos no sistema anunciado como iBooks.
  • Um detalhe, vendo os materiais, o site, etc do iPad, aumentou minha vontade de aprender a usar o iWork, o Office da Apple.

O iPad é mais um passo de uma mudança na nossa vida, onde o computador está cada vez mais presente, em todos os momentos. Com um iPhone no bolso, um iPad debaixo do braço e laptop na mochila, computadores e internet vão fazer parte da nossa vida com a eletricidade faz hoje. Como bom teimoso e amante dos livros, acho que vou carregar o Kindle também.

A relação dos meus filhos com o computador (talvez eles nem entendam o que é isso direito, como não entendemos o que é o ar que respiramos e os peixes não sabem que existe água) vai ser muito diferente da minha e da dos meus pais.

Quero estar nessa. E acho que vai ser divertido. :-) E você, o que acha disso tudo?

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Assisiti agora a uma entrevista sobre o Kindle, no youtube da TV Cultura, com o aparelho do meu amigo Eduardo Carvalho. Achei bem interessante, por conseguir explicar bem o produto, como funciona, vantagens e desvantagens. Assista ao vídeo da entrevista:

Alguns comentários meus:

  • O maior concorrente hoje é o Nook, da Barnes&Noble, com 500 mil livros de graça e possibilidade de emprestar o livro a um amigo que tenha Nook
  • Ainda há espaço para um leitor exclusivo de livros, como o Kindle, pois nada substitui a leitura, sua experiência única. É o mesmo que achar que um filme substitui o livro, do mesmo romance. É diferente, e mesmo o filme sendo muito mais rico (som e imagem) é difícil encontrar alguém que gostou mais do filme do que do livro. Na leitura você imagina, você inventa, você reflete. Acho que isso é único, e valiosíssimo.
  • O tablet, em especial o da Apple, pode ser o grande concorrente do Kindle da Amazon, por servir como um produto "bom o suficiente" para ler livros, e excelente para fazer muitas outras coisas, como acessar web, email, skype, ver vídeos, etc etc.
  • A grande guerra será a dos formatos dos arquivos de e-book. Eu quero comprar um livro sem DRM, como a O’Reilly Media já faz (e muito bem). Mas as editoras não querem pirataria. Acho que a Amazon ainda não alcançou o equilíbrio entre as duas coisas (protege mais a pirataria, mas não dá flexibilidade justa de uso a quem compra o livro).
  • As fronteiras geográficas vão diminuir muito ainda. Hoje tem livros em formato ebook que estão disponíveis na Amazon para quem mora nos EUA, mas não para quem mora no Brasil. O mesmo não ocorre com o livro impresso, e para mim não faz sentido isso continuar. Até porque burlar não é difícil :-)

Se você quer ver o que o tablet vai conseguir fazer, veja esse outro video:

Uma revolução no mundo das revistas, por exemplo.

Falando em livros eletrônicos, Jorge Carneiro, presidente da Ediouro, deu uma entrevista muito lúcida e inteligente para o jornal Meio&Mensagem da última semana. Gostei muito. Ele disse que não entram em negócios só no achismo, mas também estão certos que o Kindle e outros livros eletrônicos vieram para ficar. Fiquei com a impressão de que ele está conseguindo juntar pés no chão com a cabeça nas últimas tendências. Difícil ver isso hoje em dia. Reforçou a imagem positiva e amigável que tive dele num almoço durante a HSM Expomanagement.

Para ir além, resenhas sobre o Kindle, de três amigos meus, que também têm um, e entenderam o negócio:

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Li matérias nas duas revistas que mais gosto, The Economist e INC, sobre o mesmo tema: as mudanças que um novo tipo de tecnologia podem trazer para nossas vidas, num futuro próximo: impressoras 3D. Já existem e são cada vez mais baratas. A quem diz que em pouco tempo teremos uma impressora de coisas em casa, assim como temos uma jato de tinta ligada ao computador.

O que essas impressoras fazem? Tornam muito mais fácil você criar um produto único, com seu design, e produzi-lo mesmo. Talvez daqui um tempo será tão fácil vender uma mesa desenhada por você, como é hoje vender uma música em MP3, ou usando o iTunes.

Algumas tendênciass relacionadas a essa novidade:

  • Maior proximidade do designer e do cliente final.
  • produção distribuída, customização ou individualização em massa.
  • Facilidade de você se tornar um produtor, e não apenas mais consumidor.
  • Estímulo a negócios pequenos, segmentados, especializados.
  • Customização da sua casa, do seu escritório, num nível nunca visto. Você não vai mais precisar comprar uma escrivanhinha igual a de todo mundo na TokStok.
  • Aceleração da tendência de se buscar comprar de quem conhecemos, confiamos e somos próximos (mesmo que virtualmente).
  • Diminuição da barreira entre empresas com enormes fábricas e artesãos digitais.
  • Aumento das ofertas de produtos que atendam ao mercado “faça você mesmo”, ou DIY, como é chamado nos EUA, que tem entusiastas como Tim O’Reilly (que sou fã).

Achei interessante também porque é uma evolução do que acontece nos negócios “digitais”, como música, jornalismo, e agora livros. A revolução que estamos passando no mundo da música inicialmente pode acontecer, em diversos graus, com produtos totalmente físicos.

A matéria da INC inclusive cita que um dos motivos do sucesso da Threadless nos EUA (e Camiseteria no Brasil) – você pode criar um produto.

A revista The Economist fala de impressoras 3D cada vez mais baratas e cada vez mais capazes. Em pouco tempo você poderá imprimir um celular, por exemplo. Hoje você pode imprimir um rack para vinhos, feito de madeira, ou um colar de couro, todo recortado, estiloso e único.

A INC fala muito sobre uma empresa da Nova Zelândia, chamada Ponoko, que fornece a rede e site (pense no iTunes da Apple para música, ou o site da Amazon para venda de livros do Kindle) e aluga as impressoras laser 3D, por minuto. Se você é um designer, faz o upload do arquivo e coloca para vender. Só é produzido depois de vendido. Já tem alguns designers ganhando a vida (barata) assim.

Eu achei muito bacana, e serve como um alerta e um estímulo para pensarmos nos nossos negócios e nas mudanças que a tecnologia ainda vão nos trazer. Hoje a grande estratégia é terceirizar sua produção para a China, em larga escala. Amanhã poderá ser produzir algo totalmente personalizado, “impresso” aqui em Piracicaba, comprado por mim, de um designer no interior de Angola.

Me lembrei também de uma entrevista de um alto executivo das Havainas, que perguntado se não era muito caro fazer tantas personalizações das sandálias, ele respondeu “caro é o que não vende”. Talvez ainda vamos ver personalização em outro nível: o individual.

É a atomização do Made in China, espalhando por dezenas de milhares de lugares do mundo. Podemos achar loucura hoje, mas será que não é a mesma loucura que Henry Ford achou quando sugeriram que ele produzisse carros em outras cores, que não preto, mas um pouco mais caros?

Para ir além:

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Participei, há duas semanas, da Expo Management 2009, o maior evento para executivos do Brasil. São três dias com palestras dos mais famosos gurus, especialistas e professores do mundo, em especial dos EUA. Interessante que um dos palestrantes que mais aguardava e que mais gostei foi o brasileiro Vicente Falconi, do INDG.

Falconi fala sobre método, processos, metas. E conseguiu mudar muito os resultados de muitas empresas de grande sucesso, como a Ambev, hoje AB-Inbev e também no setor público, como governo de MG e SP e fazendo trabalhos com o governo federal. O tema do Falconi é relativamente árido, não empolga muito, mas impressiona pelos resultados obtidos e pela sua lista de fãs. Marcel Telles, abriu sua apresentação, chamando-o de “meu guru”.

Gostei muito do talk-show ou entrevista do Falconi com o Carlos Alberto Júlio (ex-HSM, hoje presidente da Tecnisa). Veja os principais pontos e meus comentários abaixo.

  • Conseguiu colocar uma meta para cada um dos brasileiros em 2001, com o apagão e deu certo, porque era claro, específico. Provavelmente foi a primeira da história, bem sucedida.
  • A área nuclear foi quem trouxe a padrozinação para o Brasil. Imagine o que acontece quando não se tem padrão, processos nesse setor: Chernobyl.
  • Ele ainda acha que falta muito padrão e treinamento nas empresas brasileiras. Será que temos muito papel escrito, ou estamos trabalhando dentro dos processos, perguntou. Comentou que não ve diferenças nas necessidades entre setor de serviços e indústria, e é claro que o setor de serviços sente mais falta ainda de padronização.
  • Carlos Brito, da AB-Inbev: “nossa diferença é que fazemos o que todo mundo já sabe”. Impressionante, mas verdade. O sucesso é conseguir implementar o básico em larga escala e com excelência.
  • Um ótimo método de estudo de um livro, um assunto é o da “cumbuca”. Reúna grupos de 4-10 pessoas semanalmente, onde todos lêem um capítulo e se sorteia quem irá apresentar. Assim todos sabem do assunto, e a reunião é muito produtiva. Gostei, e vamos implementar isso na AgriPoint, por sugestão do Marcelo, no estudo do livro do Falconi.

Quais as metas mais importantes

  • Uma empresa é como um organismo vivo, é preciso de normalidade das funções básicas: temperatura, pressão, etc. Interessante, se você estiver com febre não consegue produzir. O mesmo ocorre com uma empresa. Gostei.
  • As metas para manter a situação da empresa são as mais importantes. São as metas que mantém as funções vitais da empresa funcionando normalmente.

Inovação x Melhoria contínua

  • Não dá para inovar em tudo, mas dá para melhorar em tudo. Ou seja, você pode conseguir uma inovação disruptiva em alguma área, mas precisa seguir melhorando aos poucos em todas as áreas.
  • Muitas vezes para inovar você precisa ir atrás de uma outra empresa, de outro setor, para copiar um detalhe, e implementar dentro do seu processo, junto com outras coisas que você inventa, ou copia de outras empresas. Achei interessante e me lembrei da Apple, que já lançou produtos de extremo sucesso que eram uma colcha de retalhos quando se avaliava a inspiração de cada uma das funcionalidades.

Informação X Ação

  • Informação não vale nada, é preciso agir em cima dessa informação. Estabelecer certo as metas é tão importante quanto ter metas. É preciso avaliar quão desafiadoras devem ser, e também se está sendo medido o indicador certo.
  • Líder é aquele que bate metas, com seu time, fazendo o certo. Essa é a definição do Falconi.

Cultura

  • É preciso reforçar a cultura de se enfrentar os problemas. Há muita gente que trata mal quem traz notícias ruins. Isso é péssimo para uma organização. Encarar a realidade é fundamental.
  • Implementar, na real, uma cultura como a da Ambev, leva no mínimo cinco anos, se for rápido. Não dá para pensar que se faz isso em três meses. O ser humano demora muito para aprender. Há uma curva de aprendizado, e empresa = pessoas. Básico, muito verdade e pouco encarado. Aprendizado vem da meta, do desconforto.

Processo X Pessoas?

  • Só processo, método e metas não funciona. É preciso ter turn-over (rotatividade) baixa de funcionários, para se manter o conhecimento tácito. Você pode até ter metas, técnicas e processos para se reduzir o turnover. Eu achei essa simples explicação muito boa, foi a primeira vez que vi alguém explicar como juntar processo com pessoas.
  • A sugestão dele, que vou procurar adotar é criar processos para acumular o conhecimento técnico. E treinamento com baixo turnover para aumentar e melhorar o conhecimento tácito, que é difícil de se aprender, de se ensinar, de se reter. Por isso as empresas com menor turnover tendem a melhores resultados.

Gostei muito da apresentação dele. É daquelas pessoas humildes, que sabem muito e não são metidas. E sabem tanto que conseguem explicar com clareza e simplicidade, tornando fácil o que é complexo. E me inspirou ainda mais a aplicar método e metas na empresa. Entender como excelentes pessoas são tão importantes quanto excelente método e padronização, e que os dois não são excludentes, mas complementares, me animou ainda mais a estudar e aplicar seus conceitos.

Link para comprar o livro dele, O Verdadeiro Poder. Recomendo, muito.

Participei do evento, como blogueiro convidado, uma gentileza da Adriana Salles Gomes, editora da revista da HSM, que conheci pelo twitter e pessoalmente lá no evento. Excelente pessoa e profissional, fiquei impressionado com seu conhecimento, experiência, simpatia e postura. Conhecer e conversar com pessoas inteligentes é uma das coisas que mais gosto de fazer.

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Há alguns meses, fiz uma longa e super bacana conversa via Skype com o Luis Fernando Imperator, para se tornar a primeira entervista em áudio do blog dele. Há poucos dias, ele publicou o áudio dessa conversa, com um resumo e destaques em texto muito legais. Eu mesmo gostei muito de rele e ouvir novamente a conversa.

Acesse o blog dele e leia/ouça essa nossa conversa.

Se você gostou, passe por aqui e deixe seu comentário :-)

Obrigado.

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