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Posts Tagged ‘alexandre gama’

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Assisti na semana passada a primeira aula do curso Grandes Publicitários, na Casa do Saber, com Alexandre Gama, da agência Neogama. O organizador do curso e entrevistador é o também publicitário Celso Loducca, da Loducca. Escrevi um rápido post com meus motivos para fazer esse curso.

Fiz uma série de anotações em mapas mentais rascunhos, que é a maneira que mais gosto de escrever em reuniões e palestras. Escrevo para me lembrar depois e escrevo para me lembrar na hora. Acredito que penso melhor, presto mais atenção e capto mais os pontos importantes quando anoto.

Abaixo, Alexandre Gama, por ele mesmo, com meus pitacos.

Estilo pessoal:

  • Sou tímido, competitivo e curioso.
  • Sou mais injusto comigo mesmo, do que com os outros.
  • Aos 17 anos, praticava 6h por dia de violão.
  • Muito medo de ter o rabo preso. De dever favores, de poderem jogar na minha cara. Minha ética vem mais do medo.
  • Sou cada vez mais impermeável ao que os outros acham de mim.
  • Quero ser o melhor em cada função que faço.
  • Não sou o líder ideal. Sei que não dou muita direção. Não fico em cima. E não dou conforto.
  • Se fosse dar um conselho para ele mesmo, quando mais jovem: “pega mais leve…” Não colou, pelo menos para mim.
  • Quero ser o “ghost in the machine”, que muda as coisas, por dentro, sem que a máquina perceba.

neogama-agencia

Agências:

  • A coisa mais difícil é entrar em uma agência, a segunda é ficar. :-)
  • Uma “grande mentira é: entre na função que der, depois, lá dentro, você muda”.
  • Prêmio é uma escada que te ajuda no começo, mas não é tudo.
  • Nas perguntas contou a história do garoto que foi na agência e gravou um vídeo dizendo “eu quero trabalhar aqui..” e com isso ganhou um estágio lá. Disse: foi um bom comercial de de 30″, chamou a atenção, agora precisa provar que é um bom produto.

Publicidade:

  • Sobre o poder (maléfico) da publicidade: é apenas uma ferramenta. Quem deve levar a culpa, a mão que usa, ou a ferramenta que é usada?
  • Nossa sociedade é de consumo. Tudo é baseado no consumo. A publicidade é uma parte disso. É preciso criticar, discutir a sociedade, daí passar pela publicidade. E não o inverso.
  • “Não faço publicidade, eu tenho ideias”. Eu achei meio batido.
  • O Bradesco apareceu muito mais quando focou num tema só (Banco do Plantea), gastando a mesma coisa.

Dicas sobre carreira, para publicitários:

  • Pouca gente dá valor ao texto. Escrever bem é pensar bem.
  • Bom redator é um bom planejador.
  • Para escrever melhor é preciso ler melhor (e mais) e escrever mais.
  • Não me dê liberdade, me dê foco. O poder da escassez.
  • Quem não tem nada, não tem nada a perder. Pode arriscar tudo.

Internet

  • Internet é apenas uma ferramenta dentro da caixa de ferramentas. Pareceu ainda não ter comprado a ideia de que a internet está mudando e muito a vida das pessoas. E que vai mudar muito ainda. Deu um exemplo de uma campanha só pela internet que não vendeu carros. Mas não disse quando, nem como. Achei estranho. Talvez uma forma de contar que outra agência não entregou e eles sim.

Ideia prima e War Map

  • Procura criar para cada cliente uma “ideia prima”, que posiciona, diferencia a empresa, que desloca a concorrência.
  • Junto entrega um “War Map” com as ações a serem tomadas.
  • Gostei desses dois conceitos, mas deve ser difícil que isso funciona na prática mesmo. Um dos clientes deles é a TIM. Mesmo com um war map e uma ideia prima, me parece que é uma empresa, n oserviço, atendimento, etc, muito parecida com a Claro e Vivo.

Empreendendo:

  • Fundou a Neogama em 99-00, em plena desvalorização cambial.
  • Qual o valor de uma agência quando a economia pára? Muito pouco. Mas decidiu ir em frente: pau na máquina.
  • Há uma grande diferença entre o bravo e o corajoso. O bravo é aquele que enfrenta, sem saber o tamanho da encrenca. O corajoso é aquele que calcula, avalia, conhece, e mesmo assim enfrenta o problema. Gostei muito dessa parte, e vi que muitas vezes sou mais bravo do que corajoso, que é mais difícil (e mais eficiente). :-)
  • O Brasil é uma montanha russa. O brasileiro bom é aquele que entende isso, e entra nesse jogo, aproveita, aprende e ganha. É aquele que compra o ingresso da montanha russa.
  • Nosso primeiro posicionamento foi: tirar o máximo do mínimo. Dar resultado.

Sobre sucesso, fracasso e persistência:

  • Nenhum fracasso determina seu destino. Não acaba com você. Sabendo disso fica mais fácil passar por cima dos erros.
  • O medo do fracasso muitas vezes é o medo do julgamento dos outros.
  • No início, pensava com freqência: “hoje vão me desmascarar… hoje vão descobrir que não sou genial…” :-)
  • Vencer não é o contrário de perder, mas de desistir.
  • Sucesso é fazer o que te dá muito prazer e você faz muito bem. Não fiquei muito rico, apenas me casei uma vez só. Uma piada com o Loducca, que parece ter várias ex-mulheres (que são para sempre, como me disse um amigo certa vez).
  • Se programou para cada etapa de sua carreira. E isso ajudou.
  • Acredito no talento, mas é preciso suar. O cérebro, o talento é como um músculo, que precisa ser exercitado, para melhorar.
  • Quando você não desiste, o mundo desiste de você. Daí vem o sucesso.
  • Tem gente que tem medo de mostrar seu trabalho. Quem não tem esse medo, chega mais longe.
  • Quero fazer coisas grandes. Porque posso. E porque devo.

Sustentabilidade:

  • Lucro é a mola do capitalismo. A sustentabilidade precisa se estabelecer usando o lucro como mola, como impulsionador.
  • Falou várias vezes sobre sustentabilidade, sobre seu interesse nessa área. Parecia até que iria montar uma nova empresa. Que iria se tornar um empreendedor social, ou algo do gênero.
  • Mas achei que ele estava equivocado, que ainda não entendeu o conceito. Deu um exemplo do “bolsa floresta”, onde um amazonida recebe um bolsa família se preservar a floresta de sua pequena propriedade.

Agência como empresa:

  • Nas perguntas, fui o primeiro, e mandei: “como você faz para separar e reforçar sua imagem pessoal e de sua empresa, e para que um ajude o outro?”
  • Com base na resposta, penso que a agência dele parece ser mais um “gênio com mil ajudantes” do que um “exército de generais”, para usar uma expressão do Jim Collins.

Meus comentários

  • Extremamente criativo e bem sucedido, mas focado em criar sua empresa, com seu nome. A empresa parece ser uma forma de ampliar a pessoa, o brilhe dele (que é grande).
  • Falou muito sobre sustentabilidade, mas me pareceu compreender pouco profundamente o tema, que exige uma mudança estrutural nos negócios, exige um foco no longo prazo, exige muitas vezes mudanças que vão contra as fontes atuais de lucro da empresa. Sustentabilidade é muito mais do que uma campanha, ou do que fazer tudo em papel reciclado.
  • O que mais gostei: persistência, acreditar em si mesmo, planejamento, talento + suor. Quem vai longe não tem medo de parecer bom.

Meu sócio, Marcelo Carvalho, também está fazendo o curso e escreveu um post com as impressões dele. Interessante que optei por ler só depois de escrever a minha, e ficou bem diferente o formato, mas com vários pontos em comum.

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