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Archive for the ‘empreender’ Category

Estamos lançando o episódio #001 do videocast Man in the Arena (ou Homem na Arena), que me propus a fazer com Leo Kuba mensalmente. Nesse episódio seguimos as sugestões de diminuir a duração (nós também achamos que estava meio longo).

Dessa vez falamos sobre os seguintes assuntos:

Para o próximo, quero estudar mais cada tema a ser falado, para ficar com mais conteúdo e mais objetivo. Esse projeto tem sido um ótimo aprendizado (e diversão). Vamos em frente.

A edição desse episódio ficou por conta do Leo Kuba, que fez um excelente trabalho (e olha que ele é iniciante em vídeo). O #000 foi feito pelo nosso amigo Luiz Murillo, que trabalha com vídeo profissionalmente.

Por favor, envie suas sugestões, comentários e ideias. O que você quer ver no #MitA? Queremos te ouvir e aprender com você também. Muito obrigado.

Se preferir, assista no Blip.tv, que tem opção para downloado do MP3 e versão mobile. Temos o RSS do programa e também para iTunes.

[blip.tv ?posts_id=3396568&dest=-1]

“O Man in the Arena é um vídeo podcast sobre empreendedorismo e cultura digital apresentado por Leo Kuba e Miguel Cavalcanti”.

Veja a apresentação e episódio #000.

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Leo Kuba e eu estamos lançando um videopodcast mensal sobre negócios, empreendedorismo, internet e vida digital (seja lá o que isso for rs..). A ideia surgiu numa cnversa com o Leo, ele me convidou e eu topei na hora. O vídeo acima é o episódio #000. Assista e de sua opinião.

Nas gravações ainda não sabíamos o nome que o programa iria ter. Falamos de muitas coisas, demos risadas, falamos bobagens. Foi bem divertido. E falamos de muitas coisas que acreditamos também.

Uma das coisas foi a citação do discurso Man in the Arena, feito pelo presidente nos EUA, Theodore Roosevelt. O básico desse discurso é o valor da pessoa que está no meio da arena, lutando, dando a cara para bater. Se arriscando, podendo ganhar, podendo perder. Há muito mais valor nisso do que quem está na platéia comentando, criticando, avaliando. Falamos sobre isso entre as gravações, de que é muito mais importante e valioso estar na “briga” do que ser o doutor da vida, comentando e criticando tudo, sem fazer, sem realizar. Durante a semana, depois da gravação, Luiz Murillo, um amigo nosso que entende de vídeo, sugeriu: que tal dar o nome do videopodcast de Man in the Arena? Topamos na hora. Pareceu um nome que estava esperando ser descoberto. E já criamos a hashtag #MitA.

Aproveitando esse primeiro vídeo, que fizemos totalmente no espírito #MitA, ou seja, não está perfeito, mas estamos lutando, trabalhando, faço abaixo alguns comentários sobre negócios que acredito e que estão alinhados com o #MitA. Provavelmente nem tudo o Leo Kuba vai concordar, mas acredito que ele vai fazer os comentários dele também.

  • Faça, comece. O momento certo nunca vai chegar. Você vai ser novo demais, ou velho demais. Terá pouco dinheiro, ou pouco tempo.
  • Esqueça os críticos. Acredite em você. Tem muita gente especialista em afundar os sonhos dos outros.
  • Escute os críticos, procurando tirar o que tem de melhor, aprender alguma coisa.
  • Trabalhe em algo que vale a pena. Em algo que você acredita.
  • Esteja preparado para “apanhar”. As coisas dão errado, você rejeitado. Suas ideias são reprovadas. É preciso persistência. É preciso continuar, mesmo que cansado, desanimado.
  • Siga em frente. O sucesso é ir de fracasso em fracasso sem desanimar, já disse Churchhill, que teve seu grande sucesso depois dos 60 anos.
  • Não espere muito dos outros. Ninguém vai te dar nada. Tudo que é seu, você que terá que pegar, que conquistar.
  • É claro que se você tiver esse espírito, você vai conhecer muita gente boa, que vai te ajudar, te ensinar, te animar. Os verdadeiros amigos valem ouro.
  • Procure se divertir. Trabalhe duro, mas aproveite. Se você gosta do que faz e acredita no seu negócio isso não vai ser tão difícil quanto parece.
  • Tenha uma causa, um mantra. Trabalhar por algo maior do que apenas o dinheiro e te ajuda a ir sempre mais longe, quando você não ganha nada e também quando o negócio já dá resultado financeiro.

Obrigado Leo pelo convite. E vamos aos próximos. Nosso amigo Edu Carvalho acompanhou a primeira gravação e já blogou o vídeo antes de mim. Até o Techcrunch já usou esse discurso.

Leia o trecho mais famoso do discurso:

It is not the critic who counts; not the man who points out how the strong man stumbles, or where the doer of deeds could have done them better. The credit belongs to the man who is actually in the arena, whose face is marred by dust and sweat and blood; who strives valiantly; who errs, who comes short again and again, because there is no effort without error and shortcoming; but who does actually strive to do the deeds; who knows great enthusiasms, the great devotions; who spends himself in a worthy cause; who at the best knows in the end the triumph of high achievement, and who at the worst, if he fails, at least fails while daring greatly, so that his place shall never be with those cold and timid souls who neither know victory nor defeat.

Você também pode ver o vídeo no Blip.tv e/ou baixar o arquivo.

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Essa semana, meu amigo Marcos Rezende lançou um pequeno e-book sobre meditação, para empreendedores. Marcos é um amigo que aprendi a admirar, inclusive pelas diferenças. Ele é vegetariano, e eu sou um amante da carne vermelha, além de trabalhar diretamente com esse setor. O respeito e a confiança foram duas coisas fundamentais para que essa amizade a distância se fortalecessem, como é de costume em qualquer amizade.

Voltando ao livro. É excelente. Curto e consistente, logo você absorve o conteúdo em pouco tempo. E tem várias chamadas para os pontos mais importantes. Marcos lançou o livro grátis para visualização/leitura online e pago (R$8,90) para download. Outro item que gostei, pois tenho interesse em aprender mais sobre como funciona esse mercado de bens virtuais, na prática aqui no Brasil.

Gostei muito do livro, pois considero o assunto fascinante e fundamental, além de não ser bom no que o livro ensina. Uma ótima oportunidade para aprender. Abaixo meus principais pontos sobre o livro.

  • Harmonia e equilíbrio são características fundamentais da vida. E nos esquecemos muito disso. Se quero produzir muito, fazer a diferença, obter resultados, é fundamental estar em equilíbrio.
  • A ansiedade é um grande problema na vida moderna, e eu tenho grandes problemas com isso. Aprender a meditar pode ser um ótimo caminho.
  • Meditar é voltar-se para o centro. Meditar é focar em algo. Meditar é presenciar o momento. É descansar a mente, esvaziar os pensamentos. É parar um pouco.
  • Há três vícios que a meditação pode ajudar a superar: indisciplina, falta de concentração e apego ao controle. Quando li isso, me dei conta que meditar pode me ajudar muito mesmo, em especial aos dois primeiros pontos. Sou nota quase zero em disciplina e concentração :-)
  • A meditação pode aumentar o auto-conhecimento por meio da auto-observação. Liguei na hora com o livro Desafiando o Talento, que estou lendo agora e gostando muito. As pessoas de alto desempenho fazem isso com frequência e método.
  • Gerenciar a si mesmo é o primeiro passo para a liderança. E se conhecer ajuda a compreender o outro.
  • Como meditar em um parágrafo: 20-30 minutos por dia, de manhã, sozinho, sentado, com coluna e cabeça eretas. Vai ser difícil no início, mas lembre-se dos três vícios que você pretende combater :-)

Lendo o livro, me lembrei que chego a estados semelhantes a meditação quando viajo sozinho, sem som, sem interrupções e quando corro. Por isso a corrida me faz tão bem.

Ler esse pequeno ebook me fez lembrar uma frase/conceito que acredito muito: “a recompensa é a jornada”.

Me lembrei também da pergunta do Tim Ferris: “Você é ocupado ou produtivo?” E me lembro que sempre que tenho bons resultados, estou no segundo estágio. E como é fácil se enganar, ficando ocupado e não produzindo. Eu tenho esse problema, e tentar compensar trabalhando muitas horas não tem funcionado.

Autoconhecimento, autocontrole, compreensão, descanso, relaxamento, foco, concentração, realização, tranquilidade, serenidade, compaixão, discernimento, são alguns dos benefícios conseguidos com a prática da meditação.

Marcos acredita que é possível ter mais negócios bem estruturados, simples, coerentes e responsáveis, por meio da mediação. Interessante e faz sentido.

Engraçado que para meditar, você não precisa fazer nada. E isso é o mais difícil :-)

Vou aplicar esses conhecimentos do Marcos, compartilhados no ebook, para aumentar meu foco, concentração, autoconhecimento.

A raiz de tudo o que agimos, está dentro de nós e somente tendo ação, fala, pensamentos e emoções alinhados é que conseguiremos conquistar a liberdade e a excelência do que somos.

Outro tema que me veio a cabeça ao ler esse livro foi o conceito de fluxo. Há um livro fantástico chamado Flow, que fala sobre desempenho ótimo. E há algumas semanas conversei com o Marcos sobre um produto que ele está desenvolvendo e ele me falou que todo negócio é um fluxo. Entender esse fluxo, melhorá-lo, torná-lo mais livre, como um rio, é uma grande reflexão. E é uma das coisas que quero aplicar nos meus negócios em 2010. Quero ajudar as coisas a fluírem melhor.

Meditar vai me ajudar a me tornar mais sereno. Não mais calmo ou menos enérgico. Acho que essa é a grande chave. Alta energia, com foco e tranquilidade. Não é fácil, mas vou em frente.

Você pode ler o livro online, abaixo.

Outra fonte sobre meditação, é o Grupo Amma, indicada pelo meu amigo Leo Kuba. Pretendo fazer um curso deles em 2010.

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Li matérias nas duas revistas que mais gosto, The Economist e INC, sobre o mesmo tema: as mudanças que um novo tipo de tecnologia podem trazer para nossas vidas, num futuro próximo: impressoras 3D. Já existem e são cada vez mais baratas. A quem diz que em pouco tempo teremos uma impressora de coisas em casa, assim como temos uma jato de tinta ligada ao computador.

O que essas impressoras fazem? Tornam muito mais fácil você criar um produto único, com seu design, e produzi-lo mesmo. Talvez daqui um tempo será tão fácil vender uma mesa desenhada por você, como é hoje vender uma música em MP3, ou usando o iTunes.

Algumas tendênciass relacionadas a essa novidade:

  • Maior proximidade do designer e do cliente final.
  • produção distribuída, customização ou individualização em massa.
  • Facilidade de você se tornar um produtor, e não apenas mais consumidor.
  • Estímulo a negócios pequenos, segmentados, especializados.
  • Customização da sua casa, do seu escritório, num nível nunca visto. Você não vai mais precisar comprar uma escrivanhinha igual a de todo mundo na TokStok.
  • Aceleração da tendência de se buscar comprar de quem conhecemos, confiamos e somos próximos (mesmo que virtualmente).
  • Diminuição da barreira entre empresas com enormes fábricas e artesãos digitais.
  • Aumento das ofertas de produtos que atendam ao mercado “faça você mesmo”, ou DIY, como é chamado nos EUA, que tem entusiastas como Tim O’Reilly (que sou fã).

Achei interessante também porque é uma evolução do que acontece nos negócios “digitais”, como música, jornalismo, e agora livros. A revolução que estamos passando no mundo da música inicialmente pode acontecer, em diversos graus, com produtos totalmente físicos.

A matéria da INC inclusive cita que um dos motivos do sucesso da Threadless nos EUA (e Camiseteria no Brasil) – você pode criar um produto.

A revista The Economist fala de impressoras 3D cada vez mais baratas e cada vez mais capazes. Em pouco tempo você poderá imprimir um celular, por exemplo. Hoje você pode imprimir um rack para vinhos, feito de madeira, ou um colar de couro, todo recortado, estiloso e único.

A INC fala muito sobre uma empresa da Nova Zelândia, chamada Ponoko, que fornece a rede e site (pense no iTunes da Apple para música, ou o site da Amazon para venda de livros do Kindle) e aluga as impressoras laser 3D, por minuto. Se você é um designer, faz o upload do arquivo e coloca para vender. Só é produzido depois de vendido. Já tem alguns designers ganhando a vida (barata) assim.

Eu achei muito bacana, e serve como um alerta e um estímulo para pensarmos nos nossos negócios e nas mudanças que a tecnologia ainda vão nos trazer. Hoje a grande estratégia é terceirizar sua produção para a China, em larga escala. Amanhã poderá ser produzir algo totalmente personalizado, “impresso” aqui em Piracicaba, comprado por mim, de um designer no interior de Angola.

Me lembrei também de uma entrevista de um alto executivo das Havainas, que perguntado se não era muito caro fazer tantas personalizações das sandálias, ele respondeu “caro é o que não vende”. Talvez ainda vamos ver personalização em outro nível: o individual.

É a atomização do Made in China, espalhando por dezenas de milhares de lugares do mundo. Podemos achar loucura hoje, mas será que não é a mesma loucura que Henry Ford achou quando sugeriram que ele produzisse carros em outras cores, que não preto, mas um pouco mais caros?

Para ir além:

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Há alguns meses, fiz uma longa e super bacana conversa via Skype com o Luis Fernando Imperator, para se tornar a primeira entervista em áudio do blog dele. Há poucos dias, ele publicou o áudio dessa conversa, com um resumo e destaques em texto muito legais. Eu mesmo gostei muito de rele e ouvir novamente a conversa.

Acesse o blog dele e leia/ouça essa nossa conversa.

Se você gostou, passe por aqui e deixe seu comentário :-)

Obrigado.

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O primeiro dia oficial da conferência INC500 foi na quinta-feira 24 de setembro de 2009, em Washington DC. O evento contava com mais de 1.700 pessoas, o maior de todos os tempos. Jane Berentson, editora da revista, perguntou: há crise entre empreendedores? Ao iniciar, passou um vídeo de poucos minutos do Bill Clinton, onde ele falou do valor dos empreendedores e estimulou as pessoas a desenvolverem trabalhos voluntários, sua maior bandeira hoje.

O primeiro palestrante foi Tony Hsieh, CEO e fundador da Zappos, recentemente adquirida pela Amazon por quase US$ 1 bilhão. Eu admiro o trabalho do Tony desde o início desse ano, quando conheci a empresa, lendo na web. Ele é muito aberto, responde no twitter. É incrível. E a empresa tem uma fama de excelência no atendimento ao cliente. Para se ter uma ideia, ele me mandou por Fedex, o livro da cultura da Zappos de graça, aqui para o Brasil, depois que eu conversei com ele por twitter e email. Não acreditei quando o livro chegou poucos dias depois no meu escritório aqui em Piracicaba.

Tony contou uma série de histórias bacanas relacionadas a empresa dele e sua história pessoal. Falou bastante sobre atendimento ao cliente e cultura da empresa, um dos meus principais focos hoje.

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Leia abaixo minhas principais anotações.

O objetivo da Zappos é levar a loja de sapatos para sua casa. Por isso têm frete grátis ida e volta. Se não gostou, pode devolver, sem custos. Em tese, você pode encomendar sapatos, para experimentar, ficando com os que te interessam ou servem. Se você não gostar, tem até 365 (um ano!!) para devolver, sem custo e recebendo seu dinheiro de volta. Na prática, você compra muito mais. Em especial nos EUA, onde o pessoal é muito bom para consumir :-)

Tony tem hoje mais de 1,3 milhão de pessoas seguindo ele no twitter. E ainda consegue responder a brasileiros como eu.

A Zappos recebe visitantes em sua sede em Las Vegas. Quem foi, diz que é incrível. Se eu for a Las Vegas, irei visitar com certeza. Uma pessoa visitou os escritórios deles, fez com que uma atendente checasse quanto a esposa já tinha gasto com eles. Ficou surpreso com o valor total: US$ 62.000 dólares. Isso que é cliente valioso, mas que só existe porque eles atendem excepcionalmente bem.

Seu sócio se chama Alfred, e diz que o conheceu nos tempos de faculdade, quando Tony montou um negócio de venda de pizza. Alfred comprava todas as noites. As vezes voltava mais tarde e comprava outra pizza. Sempre comprava o tamanho grande. Tempos depois, Tony descobriu que Alfred comprava pizzas para revender nos dormitórios da faculdade por pedaço. Ou seja, não tinha nenhuma estrutura, custo fixo, etc, e tinha uma rentabilidade muito maior que eles, que produziam a pizza. Tony brincou que daí descobriu que tinha encontrado o homem certo para cuidar das finanças.

Entre 1996 e 98, montou empresa chamada LinkExchange. Quando tinha mais de 100 funcionários, percebeu que não se dedicava a cultura da empresa. E com isso não tinha mais empolgação para ir trabalhar lá todos os dias. Não era um local onde se orgulhava, onde se sentia animado. Vendeu a empresa para a Microsoft por mais de US$ 200 milhões. Com parte dessa grana, montou um fundo de investimento em internet. Mas também não se divertia.

A Zappos foi uma das empresas que ele investiu. Gostou e foi trabalhar lá full time. Com as experiências anteriores, e já tendo ganhado muito dinheiro, percebeu que queria montar um negócio que se orgulhasse. Daí surgiu toda a preocupação em construir uma empresa com um cultura especial, que deixe sua marca, que faz diferente e faz a diferença. Eu achei essa parte muito interessante.

Tony diz que a Zappos não vende só sapatos. É uma empresa “powered by service”, ou seja, sua competência central é saber atender muito bem. Ele se inspira na Virgin, que atua em inúmeros negócios diferentes, mas com uma cara única, uma cultura central, que está sempre presente. Diz que pode entrar em qualquer negócio. Quem sabe daqui 20-30 anos não estaremos trabalhando com aviação, brincou.

Em 2009, a Zappos foi a número 23 na lista das 100 melhores empresas para se trabalhar, no levantamento da revista Fortune. Afirma que esse é um dos melhores prêmios que poderia receber.

Hoje, 75% das vendas são de clientes que já compravam. Ou seja, o valor de cada cliente tende a ser alto, a fidelidade dos clientes é alta. E isso, junto com boca-a-boca positivo, são dois direcionadores muito fortes de rentabilidade.

A Zappos tem o número 0800 (nos EUA é 1-800) no topo de todas as páginas do site da empresa. Muitas empresas fazem o contrário, escondem no site o número do seu telefone, pois é mais “barato” atender pela web apenas. Tony pensa o contrário. Pergunta “Como fazer sua marca aparecer quando todo mundo está anunciando?” A resposta da Zappos é o telefone. “Telefone é muito bom, você tem de 5 a 10 minutos de total atenção do seu cliente”. E quase nunca vende nessa primeira ligação.

Contou, arrancando risadas da plateia, que o recorde de ligação mais longa até o momento na Zappos é de incríveis 5 horas e 57 minutos. “Muitos ligam porque estão mal. Outros querem uma assessoria para saber o que vestir num casamento que irão participar no dia”. Eles estimam que cada cliente vai ligar pelo menos uma vez durante o período que comprar da Zappos. E eles querem que essa impressão seja excelente.

A empresa tem um treinamento muito completo de atendimento e se preocupa muito em contratar pessoas muito alinhadas com a cultura da empresa, mas não há scripts de atendimento ao telefone, muito menos limites, como por exemplo, tempo máximo de uma ligação. Não tem procedimento, mas se as pessoas entenderem a cultura, tudo fica mais fácil. Tudo isso parece muito estranho, pouco eficiente, e que o custo vai “comer” todo possível retorno. Não é o que parece estar acontecendo.

Muitas vezes, fazem upgrade surpresa para over night shipping (entrega no dia seguinte). As vezes, a pessoa compra à noite e no outro dia recebe em casa, em menos de 8 horas. Isso gera um fator UAU! no cliente. Quando não tem o produto, procuram e indicam o cliente para o site do concorrente. “Perdemos essa venda, mas reforçamos o relacionamento de longo prazo. Esse cliente volta. Não estamos aqui para fazer apenas uma venda”.

Cultura da empresa e seleção

“Nosso foco número 1 não é atendimento ao cliente, mas a cultura da empresa”. É a cultura que garante esse atendimento especial. A seleção é um dos pontos mais importantes, e é baseda na técnica (o candidato sabe desempenhar aquela função) e na cultura (o candidato está alinhado com a cultura da empresa). Demitem pessoas que são boas tecnicamente, mas não têm a cultura da Zappos. Todos contratados têm que trabalhar 2 semanas no call center, entendendo clientes, independente da função que irão desempenhar. Depois de selecionar, contratar, e treinar por 1 semana, oferece US$ 2000 para a pessoa sair. Não querem que a pessoa fique apenas pelo dinheiro. Esse é um dos testes mais radicais para saber se o candidato está alinhado.

A Zappos é felicidade dentro de uma caixa, e são os clientes que dizem isso. O tema da palestra era esse mesmo: entregando felicidade. O livro anual sobre cultura (que eu ganhei) é uma compilação de textos dos funcionários sobre o que é a cultura da empresa, sem censura, sem cortes, sem direcionamento. Disse também que o twitter ajuda a fortalecer a cultura. Fizeram até uma página que reúne todas as contas de funcionários: twitter.zappos.com.

Na apresentação, ele cita várias matérias da impresa, prêmios, etc, mas diz estar mais preocupado em ouvir seus clientes. Eles têm 11 milhões de clientes, sendo que 4 milhões compraram nos últimos 12 meses. O faturamento está na casa do US$ 1 bilhão.

Os 10 valores centrais da Zappos:

  1. Gere UAU! pelo serviço
  2. Abrace e estimule a mudança
  3. Seja alegre e até um pouco “estranho”
  4. Se aventure, criativo e cabeça aberta
  5. Busque o crescimento e o aprendizado
  6. Construa relacionamentos abertos e verdadeiros
  7. Contrua uma equipe positiva e com espírito de família
  8. Faça mais com menos
  9. Seja apaixonado e determinado
  10. Seja humilde

“Cultura são valores que as pessoas podem (e querem) se comprometer”.

Algumas perguntas que eles fazem nas entrevistas:

  • Numa escala de 1-10, quanto “estranho” (weird) você é? Os extremos não servem. Querem ter pessoas meio malucas. E é claro, não tem um número certo.
  • De 1 a 10, quão sortudo você é? Nota baixa não serve. Contou a história do teste com com jornal falso, onde os candidatos tinham que contar o número de fotos. E no texto do jornal, tinha a resposta em letras garrafais. As pessoas que se achavam sortudas viam a resposta, os outros não. Se achar sortudo é estar aberto a ver outras coisas. Achei muito interessante.

Frases:

  • “Não importa quais são seus valores, mas se você se compromete com eles verdadeiramente”.
  • “Não importa no que estiver pensando, pense grande. Não corra atrás do dinheiro, mas da visão, do seu sonho”.
  • “O que você teria paixão em fazer, por 10 anos, mesmo que não ganhasse nada no final?”
  • “Qual a visão e propósito do seu negócio, que vai além do ganhar dinheiro, do lucro?”

Transparência

Eles contam muito do negócio deles, são abertos. Podem até passar informação a concorrentes, mas tem milhares de pessoas falando sobre seu negócio, admirando a empresa, melhorando a Zappos. Vale a pena.

Inspiração X Motivação

Outro ponto que ele tocou que gostei muito foi inspiração versus motivação. Falou “não se preocupe com motivação, mas com inspiração”. Outro ótimo ponto para reflexão. Será que estou inspirando minha equipe, meus parceiros, minha rede?

Felicidade

Tony focou a parte final da palestra em felicidade. “Eles podem não se lembrar do que você falou ou fez, mas vão se lembrar sobre como se sentiram”. Esse trabalho de se preocupar em fazer o consumidor se sentir bem é muito interessante e pode ajudar muito sua empresa. Li num post sobre a INC500, que grandes marcas não se definem pelos seus produtos, mas pelos sentimentos que geram nos seus clientes. Uma ótima reflexão para qualquer negócio, e sobre as pequenas coisas que podemos mudar, que melhora isso.

O que procuramos na vida? Se você for olhar a fundo, todo mundo está buscando a felicidade. No entanto, vários estudos têm mostrado que as pessoas são muito ruins em prever o que vai trazer real felicidade. Acham que é tendo alguma coisa, alcançando alguma coisa.

Tem muita ciência envolvida em muitos fatores relacionados aos negócios: testes, conversão, marketing, persuasão, etc. Há também ciência ligada a felicidade. “E se investissemos um pouco mais em entender a ciência da felicidade?”

Ele disse que há três formas, etapas da felicidade: astro de rock (atrás de mais um pico de emoção), flow ou fluxo (engajamento, não vemos o tempo passar) e significado/propósito (fazer parte de algo maior do que você mesmo).

Terminou recomendando alguns livros:

  • PEAK, de Chip Conley
  • TRIBAL LEADERSHIP, de Dave Logan, John King & Halee Fischer-Wright (esse ele oferece grátis aqui)
  • FOUR HOUR WORK WEEK, de Tim Ferriss
  • HAPPINESS HYPOTHESIS, de Jonathan Haidt

“Se a pesquisa/ciência mostra que participar de algo maior, ter um significado/propósito, leva a felicidade, o que você está fazendo nesse sentido para sua empresa, para sua equipe e seus clientes?”

Tony Hsieh é um ótimo contador de histórias. E contou muito bem a história da empresa, a história dele, seu propósito de vida. Foi uma inspiração ouvi-lo falar.

Veja os slides completos da palestra:

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Assisti há mais de um mês a uma aula na Casa do Saber, com Nizan Guanaes, presidente do Grupo ABC e da agência África. Foi o segundo palestrante/entrevistado do curso Grandes Publicitários. Nizan deu um show. Tem uma energia enorme, literalmente “ocupou” todos os espaços da sala que tinha umas 70 pessoas. Cantou, declamou poemas, falou inúmeros palavrões. Não tentou vender uma imagem de bom moço. Um trator, que faz muito e não tem medo de ser quem é. Achei muito legal. Dizem que não é fácil trabalhar com ele. Acredito. E imagino que deve ser terrível mesmo, se você for “mole”.

Nizan Guanaes tem 51 anos, se considera chato, insatisfeito, inquieto. Fala que trabalha muito, 24 horas por dia. Negócio é negar o ócio. Nizan é filho de libanês e no início da carreira foi radialista. Diz sentir o pulso da audiência. Parece ter uma grande habilidade em perceber o que as pessoas estão sentindo, e mudar se for preciso para deixar sua marca, ou vender o produto do seu cliente. Seus ídolos são: GP Investimentos, Odebrecht, Dorival Caymmi. Gosta muito de trabalhar. Mas gosta também de se divertir. “Sou dono do dinheiro e não o contrário”.

Frases

“Vida é um vôo de tripa a tripa”, sobre a finitude da vida, e a necessidade de se fazer, acontecer enquanto você está aqui. Quando acaba não sobra nada.

“No céu não vou conhecer ninguém”, brincando com a possibilidade de ir para o inferno.

“Luto para que Deus acredite em mim”, ao ser perguntado se acreditava em Deus. São Paulo e São Pedro tinham muitos defeitos e foram eles que fundaram a igreja. Quer ser assim também.

“Minha tradição é mudar”.

“Publicidade compete com as vias urinárias”. Tem que ser muito bom, ele precisa vender o produto no intervalo. Se for ruim, todo mundo vai ao banheiro nessa hora.

“É preciso treinar muito para parecer natural”, Fernanda Montenegro.

“Dinheiro é igual um germe, precisa exterminar”, numa piada (acho que sobre a mulher dele). Gosta de ganhar dinheiro. E gosta de gastar dinheiro.

“Prometo glória, não prometo paz. Vá procurar a Thompson, se quiser paz”, em referencia a outra agência. “Meu slogan é Terrível, mas só contra os insetos”, sobre sua fama de mau, trator. “Sou duro, mas os princípios são bons”.

“Sucesso é uma empresa rentável, que você se orgulhe”. Várias vezes vi ele falando coisas que me lembravam muito o livro Double your profits, que é a bíblia do pessoal do GP. “Sucesso é contra sua natureza”. “A vida é domar a natureza”.

“Sou vulgar, mas minha obra não é”.

“Se você não gosta da segunda-feira, tem problema no trabalho. Se não gosta do sábado, seu problema é no casamento”.

“Acredito em talentos, em time. Talentos que viram sócios”.

“O saber alimenta e atormenta”, sobre o que podemos aprender, como podemos melhorar e como a sensação de que não sabemos nada pode angustiar. Isso acontece demais comigo.

“Na China, quando você se aposenta, vai trabalhar para as crianças”.

“Só é possível viver reinventando a vida”. Tem medo de se acomodar. Medo de se repetir. Roberto Marinho fundou a Globo aos 65 anos. Churchill foi um cara com problemas enormes, muitos fracassos. Teve sucesso só no final da vida. O novo livro do Jim Collins, How de mighty fall, comenta bem sobre Churchill.

“No Brasil, megalomaníaco tem vertigem no primeiro andar”. Falando que pouca gente pensa grande no Brasil. Isso é mal visto aqui. Ele quer sempre um sonho grande. É preciso pensar grande e treinar.

“É preciso colocar a sustentabilidade colocar dentro do modelo de negócios. Minhas agencias não são sustentáveis hoje. Não quero enganar. É muito difícil.”

“Todas as cartas de amor são ridículas”.

“Tudo vai mudar, mas o ser humano continua o mesmo”. Me lembrei do DVD O Poder do Mito.

“Niterói é a nossa Sausalito”. Uma comparação legal, mostrando que aproveitamos mal o que temos de muito bom. Nos EUA, os caras tiram “leite de pedra”.

“Se tudo tá fácil é assalto”. “Se tudo tá fácil, você não está no lugar certo”. “Time campeão está sempre sob pressão”.

“Eu olho a árvore pelo fruto”, sobre como avalia as pessoas, projetos. Sempre pelos resultados. E quer ser avaliado assim, pelo que faz, não pelo que os outros falam dele. “Flamengo não vai ser amado pelo Fluminense”. Ele não se preocupa em agradar a todos. “Não sou medroso”.

“Meu negócio é intervalo, é patrocínio”. Por isso entrou em eventos, como os de moda.

“O Brasil em algumas partes ainda é muito antigo”, sobre querer achar que o Brasil é a cidade de São Paulo, cosmopolita, conectada.

Deixar sua marca

Nizan falou várias vezes da sua vontade de fazer coisas maiores, de deixar sua marca. Além dos negócios visando o lucro, há também o Nizan social. Ele usa o mesmo estilo e sua grande influência e conexões para também fazer muito nessa área. Ajudou a reformar o Convento de Santo Antonio. Tem um programa social na África, com foco em educação contra violência sexual em crianças. Atua com o apoio/parceria da fundação do Bill Clinton.

Educação

“Educação é ditadura”, falando da relação dele com o filho. Força a educação dos filhos. Antonio, seu filho, estuda mandarim “na marra”.

Internet

Depois, quando vendeu a DM9 para a DDB, teve que fazer um contrato “non compete agreement” de dois anos, se afastando do mercado publicitário. Disse “devia ter ido rodar o mundo, que iria aprender muito mais”, mas montou o IG. E aprendeu muito sobre internet. Brincou “achei que iria entrar no programa how to be a millionaire e acabei entrando no Survivor”, sobre a dificuldade de lucrar nesse mercado.

TV ainda vai continuar sendo muito forte para produtos de massa. Internet é importante, mas depende de onde você está no Brasil. “Não copie os EUA, os dados demográficos de lá são muito diferentes do Brasil”, disse.

Negócios hoje

Quando voltou para a publicidade viu que precisava de escala. Tem o foco hoje nos países emergentes.

“As coisas nascem nas periferias, nas garagens”. O BRIC é a periferia do mundo hoje. No bom sentido, onde as coisas estão sendo criadas. Interessante essa comparação entre os BRICs e as garagens de empreendedores, uma boa analogia.

O Grupo ABC tem 17 agencias. Busca a gestão com meritocracia. Tem consultoria do INDG. É fã do GP, da Ambev. Ele quer que o ABC seja o nono grupo do mundo, já que o Brasil é a nona economia do mundo. Hoje é o vigésimo.

Pontos que mais me chamaram a atenção

Tem uma energia altíssima, invejável. Uma das coisas que mais me marcaram e que quero cultivar em mim também. Vontade muito grande, pensa grande, aplica o que sabe, procura aprender com os outros.

Não tem medo de ser ele mesmo. Quer ser ele mesmo no grau máximo.

Tem grande cultura.

Ótimas conexões. Conhece muita gente importante e famosa. Isso abre portas, ele chega “nas cabeças” e pode pedir e pensar grande. Sucesso puxa sucesso.

Mesmo tendo um negócio que é meio arte, com altas doses de criatividade, quer aprender com os melhores de gestão, como GP e INDG. Corta custos no que não é essencial. Mas isso é relativo, pois uma sede é essencial para uma agencia de publicidade. Me lembro de uma matéria da M&M falando da nova sede da Africa. Foco em resultados, pressão, não passa a mão na cabeça.

Nizan é mais do que um publicitário, tem visão de negócios, um empreendedor. Conseguiu ir além da área inicial dele, com muito sucesso. Talvez por isso foi o palestrante que mais gostei, pois consegui aprender e me inspirar mais.

O que levei dessa palestra-entrevista:

  • Seja você mesmo.
  • Pense grande.
  • Deixe sua marca no mundo.
  • Não tente agradar a todos.
  • Busque a excelência.
  • Quem faz muito, vai ter alguns inimigos, vai ter gente torcendo contra. O sucesso é solitário, fracasso é solidário.

Meu sócio, Marcelo Carvalho, que também está fazendo esse curso, escreveu um post, talvez mais completo que esse aqui.

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