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Nikesh Arora foi um dos melhores palestrantes do Mixx 09, que aconteceu em 22 e 23 de setembro, em NY. O tema da palestra foi “O fim do marketing digital?”.

Antes chamávamos de telefone celular, hoje de telefone. Antes de carruagens sem cavalos, agora de carros. Antes TV a cores, agora só TV. Logo vamos chamar o marketing digital de apenas marketing.

Como todas as mídias, que quando surgiram, ainda passaram por um longo processo de evolução para se tornarem um sucesso (ex.: TV, rádio, etc), a internet, o marketing digital ainda vai evoluir muito frente ao que conhecemos hoje. Criticar o que temos hoje é um passo para não enxergar o que vem pela frente.

Com o tempo, e a tecnologia, cada vez mais vamos ser capazes de entender quando, como e onde cada pessoa está consumindo conteúdo, informação e publicidade. E isso não será apenas na internet ou no celular. Em breve, TV e rádio serão mais e mais sob demanda, e com essas características de entender onde/como/quando está seu consumidor. E se adaptar a isso.

Arora disse que o marketing é a nova finanças, querendo dizer que quem entende de matemática vai ter uma vantagem no novo marketing. Métricas serão cada vez mais importantes. Ele deu um exemplo interessante: antes se fazia amostragem, hoje o Google faz um teste com toda a opulação. Lançar um produto beta não é mais um experimento em que se expõe seu produto a uma parcela, amostra da população. Agora você mostra a todo o seu mercado alvo. Essa é realmente uma mudança incrível, e o Google é um exemplo de como fazer isso bem.

Outro exemplo legal foi o de realidade aumentada. Ao se filmar/fotografar um edifício com seu celular, ele automaticamente acessa web, e checa onde você está, o que tem de dados sobre aquele prédio (história, informações, etc). Isso vai influenciar tudo, inclusive a publicidade. Imagine mostrar mensagens relevantes para a pessoa certa, no lugar certo, na hora certa. A matemática por traz disso tudo deve ser mosntruosa, mas é o sonho de consumo dos marketeiros. Essa nova tecnologia pode ajudar a tornar todo anúncio envolvente, uma vez que você mede os resultados e só mostra o que é relevante.

Outro comentário interessante dele foi que o inventário de mídia está crescendo de forma muito mais rápida do que a capacidade atual de vender publicidade sobre essa mídia. Um dos grandes desafios vai além a venda. É a organização desse inventário de conteúdo. Imagine quantas páginas do orkut ou Facebook seriam interessantes para centenas se não milhares de empresas. O problema é que hoje não se consegue separar essas páginas de outras com pornografia, xingamentos, agressões, etc. Essa incapacidade de filtrar, organizara e separar o “joio do trigo” torna mais difícil (para não dizer impossível) vender esses espaços.

Duas frases muito interessantes:

  • O santo graal da publicidade é fazer com que ela se pareça com informação.
  • No futuro, tudo estará muito próximo de você.

Veja o vídeo resumo, do IAB, abaixo:

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Marcello Serpa foi o terceiro palestrante-entrevistado do curso Grandes Publicitários na Casa do Saber. Me pareceu o mais “artista” entre Alexandre Gama e Nizan Guanaes. Disse ser “um eterno garoto de 7 anos, segurando uma antena”, que capta tendências, entende o que está no ar.

Minhas anotações, comentários e frases do Marcello Serpa

  • Aos 15 anos, sentiu necessidade de viajar e foi para Europa.
  • Procurou fazer arte aplicada. Começou designer, terminou publicitário.
  • É incrível como as relações entre esses “grandes publicitários” parece ser estremecida, como que enormes egos sempre se chocando. Fiquei com essa impressão na palestra dele, quando fala de outros profissionais.
  • “Diretor de arte era chamado de decorador de anúncio (DA)”, sobre como sua função era criticada por redatores.
  • “Sempre tive ídolos, em cada fase da vida”. Depois, com tempo, deixou de ter ídolos. Disse que a relação ficou mais humana, mais próxima, mais de igual para igual. Achei interessante e correto.
  • O mercado de publicitário está em SP. Nizan comentou a mesma coisa, de outra forma. Não adianta querer ter uma agência nacional com sede no Rio ou em Salvador.
  • “Liderança não é título, se exerce pelo exemplo e com empatia”. Quer levar seus liderados “a um lugar melhor”, ou seja, quer ajudá-los a ir mais longe. O Petit (da DPZ) fazia isso e tenta fazer isso sempre, com todos que trabalham com ele. “Já fui líder sem ter cargo”.
  • “Sucesso é reconhecimento”. Mas é preciso ter cuidado com o ego, que “pode ficar gordo, e o colesterol do ego faz mal”.
  • De uma maneira humilde até falou da sorte e do acaso. Chegou onde chegou também com a ajuda do destino. “Talento existe sim, mas um talento específico”. E ele também acredita na intuição.
  • “Não sou piloto de avião”, sobre poder errar na publicidade. “O máximo que vai acontecer é perder a conta do cliente”, não é o fim do mundo. Deve ser difícil praticar isso na vida real. E deve ser mais difícil ainda assumir os erros, numa profissão de tanta imagem, e egos “com colesterol”. :-)
  • “Talento em publicidade é associar coisas diferentes, que combinam quando juntas. É a síntese. É ver o óbvio.” Gostei muito dessa explicação. Simples.
  • “Só aprendi a ter sócios depois dos 35 anos”. “Não sou empresário”. Não quero ter chefe.
  • “É preciso acreditar na felicidade. A vida tem que ser gostosa”.
  • “Nenhuma sociedade que aboliu Deus sobreviveu”.
  • Fazer “propaganda é vender”.

O que mais gostei

Para fazer uma boa campanha é preciso apenas responder duas perguntas:

  1. Defina o problema do cliente. Onde você precisa chegar? Qual o posicionamento, qual a mensagem? Há uma única resposta para isso.
  2. O que precisa ser dito é relevante, convence?

“Toda ideia boa cabe em uma frase”, sobre simplicidade e como fazer um teste matador para saber se você está no caminho certo.

É preciso simplificar, resumir seu conceito, seu produto em apenas uma frase, que explica, vende e convence o cliente. Antes de se procurar fazer uma campanha, é preciso responder as duas perguntas chave: 1-qual o desafio? e 2-alcançando esse desafio, você conseguiu vender o produto?

Gostei muito disso, pois acredito que esse exercício bem feito: resumo, problema e checagem da solução, pode aumentar incrivelmente o resultado de um trabalho de marketing. Tenho a impressão de que é muito comum campanhas e estratégias que não levam esses simples conceitos em conta.

Esses dois tópicos acima (2 perguntas, e ideia numa frase) valeram a noite. Uma ótima reflexão sobre todos os materiais promocionais que fazemos. Fiquei pensando no que produzo e no que consumo, e me dei conta, que muitas vezes não se consegue atender a esses dois critérios tão básicos: entender o problema, e resolve-lo, de forma simples.

Se você gostou, leia os outros posts, da série Grandes Publicitários.

Veja também uma imagem que achei no site da agência dele, que gostei.

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Lucas-Watson-mixx

Lucas Watson começou a palestra falando de dois campos de golf dos EUA, um feito pelo Donald Trump, em que se construiu tudo do zero. Um outro campo totalmente feito pelo homem. O outro, um campo de golf muito simples no estado de Nebraska, onde pouca coisa foi feita. Um campo de golf com pouca interferência do homem. E esse mais simples e mais barato, é mais admirado. Ele usou essa comparação para falar de ações digitais.

As vezes, fazemos uma grande obra, se mexe em muita terra, mas alguém faz muito menos esforço e tem mais resultados.

Ele mostrou alguns conceitos bacanas.

Você precisa de um ideal e de uma ideia. Mostrou um video simples, de bebes dormindo com uma musica calma, usado para vender Pampers.

Ou então você pode ter uma ideia muito boa, que e colocada em prática de forma fácil. Mostrou o caso de um banner da batata frita Pringles, que era uma brincadeira, com frases engraçadas, que iam mudando a cada clique do internauta.

Eram 128 telas com pequenas frases diferentes em cada um, com o mesmo fundo, layout, etc. Disse que a maioria das pessoas clicava atá o final. Isso mesmo, 128 cliques! A parte que ele mostrou na palestra era realmente bem engraçada, arrancou risadas da plateia. Simplicidade é o verdadeiro brilho criativo, disse. “Use o campo que você tem”, lembrando da comparação inicial entre campos de golf.

A criatividade pode vir de qualquer lugar. Lucas mostrou outro exemplo de crowdsourcing, onde o design de uma campanha do perfume da Hugo Boss foi feita por um tailandês de 18 anos, sem formação em design ou publicidade. O engraçado é que era a marca de perfume que eu uso.

Outro trocadilho que ele fez e que o dinheiro não pode comprar felicidade. E tambem não consegue comprar (sozinho) criatividade.

Ao final, contou o que a P&G vem fazendo para aumentar sua criatividade. Estão aumentando importância do digital, simplificando o briefing creativo, medindo e aprendendo o tempo inteiro, premiando a colaboração entre agências que os atendem e por fim, estimulando experimentos e a inovação.

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Steve-wax-campfire

Steve Wax, da agência Campfire, foi outro a fazer a mini-palestra de 5 minutos no MIXX 09, em NY na semana passada.

Começou dizendo que tem um sonho recorrente. Está num palco, com luzes no seu rosto e uma grande plateia. A parte ruim é que ele está nu nesse sonho. Disse que essa é a realidade das pessoas que trabalham com publicidade hoje em dia. Antes, uma agência tinha que se expor para pouca gente. Interagia com o cliente, alguns fornecedores. Alguns consumidores em focus groups.

Hoje não, interage, mesmo sem querer com todo o público. E outra, o grande público também está no palco. Ou seja, antes você estava no palco com uma plateia pequena. Agora tem uma plateia enorme. E tem a plateia inteira no palco, falando de você. A agência, e seu tabalho, está muito mais exposto. Literalmente nu.

Falou que fazer publicidade está muito mais difícil hoje, mas que ele acha mais legal hoje. Segundo ele, o foco hoje deve ser entreter e medir. Com a marca do seu cliente no centro.

“Sou cada vez mais um regente de orquestra do que aquele que cria mesmo. Eu ajudo os outros a criarem”. E esse “outros” é cada vez mais amplo. O anúncio de 30 segundos agora é visto por meses, no youtube, por exemplo. A evolução de uma ideia é muitas vezes mais importante do que a ideia original. Seu trabalho é reger experiências diárias, do cotidiano das pessoas, envolvendo as marcas. Muito mais do que um grande feito, agora são pequenos feitos, pequenas novas historias e interações, acontecendo dia após dia.

Disse que o planejador de mídia é o novo homem do tempo. Está sempre mudando, de uma hora para outra, passa de chuva para sol.

Outra frase dele que gostei foi: “Uma sequência de pequenos erros pode te levar a um grande sucesso, ao aprendizado”.

Terminou dizendo “Abrace a Nudez”.

Gostei bastante da pequena palestra dele. Conseguiu explicar bem que a realidade mudou, e que se você for realmente bom em entender o cliente final e em reger experiências da sua marca, pode ter um trabalho bem mais divertido e certeiro hoje em dia. Interessante que ele juntou interação cliente-marca e métricas como os dois focos da comunicação hoje.

O twitter do Steve é @campfiresteve.

Steve foi outro a fazer a mini-palestra de 5 minutos. Começou dizendo que tem um sonho recorrente. Esta num palco, com luzes no seu rosto e uma grande plateia. A parte ruim e que ele esta nu nesse sonho. Disse que essa e a realidade das pessoas que trabalham com publicidade hoje em dia.

Antes, uma agencia tinha que se expor para pouca gente. Interagia com o cliente, alguns fornecedores. Alguns consumidores em focus groups. Hoje não, interage, mesmo sem querer com o publico todo. E outra, o grande publico também esta no palco. Ou seja, antes você estava no palco com uma plateia pequena. Agora tem uma plateia enorme, e tem a plateia inteira no palco, falando de você Você esta muito mais exposto. Literalmente nu.

Falou que fazer publicidade esta muito mais difícil hoje, mas que ele acha mais legal hoje. Segundo ele o foco hoje deve ser entreter e medir. Com a marca do seu cliente no centro.

Sou cada vez mais um regente de orquestra do que aquele que cria mesmo. Eu ajudo os outros a criarem. E esse “outros” e cada vez mais amplo.

O VT de 30 segundos agora e visto por meses, no youtube, por exemplo. A evolução de uma ideia e muitas vezes mais importante do que a ideia original. Seu trabalho e reger experiências diárias, do cotidiano das pessoas, envolvendo as marcas. Muito mais do que um grande feito, agora são pequenos feitos, pequenas novas historias e interações, acontecendo dia após dia.

Disse que o planejador de mídia e o novo homem do tempo. Esta sempre mudando, de uma hora para outra, passa de chuva para sol.

Uma sequênciasequencia de pequenos erros pode te levar a um grande sucesso, ao aprendizado.

Terminou dizendo “Abrace a Nudez”.

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O tema da palestra foi “Misses, Home Runs and Game Changers”, algo como “bolas fora, golaços e mudanças radicais”. A palestra começou mostrando o gráfico já tradicional de quanto tempo cada meio de comunicação levou para atingir 100 milhões de usuários. O Facebook levou so 9 meses. Yusuf também adotou o padrão americano de apresentar uma palestra usando listas. Dessa vez foram as 5 lições da publicidade digital.

As 5 lições de Yusuf, da MS:

  1. Seja autêntico, seja você mesmo. O primeiro exemplo foi a million dollar homepage, um caso de 2005 (ou algo próximo) em que um estudante fez uma pagina com um milhão de pixels e vendeu cada um por US$1. Graças ao boca-a-boca, ele conseguiu a inimaginável façanha de vender tudo. Um caso antigo, mas legal de relembrar, mesmo sendo altamente improvável conseguir emplacar algo do gênero.
  2. Medir, medir, otimizar, otimizar. Falou sobre a Zappos, que testa muito seu site, buscando otimizar os resultados de vendas. Esse tema otimização e conversão, em especial em e-commerce e muito mais falado nos EUA do que no Brasil. Tenho a impressão de que muito mais gente se preocupa com SEO (aparecer no Google) do que em converter (transformar a visita no site em negocio, contato).
  3. Seja social. A web e uma rede de pessoas. Por mais obvio que pareça, muita gente ainda não entendeu. O exemplo aqui foi o site MyStarbucksIdea, onde clientes e fãs da marca de café podem opinar, sugerir e reclamar. O especial nesse caso e que o site tem todo um sistema de votação, onde os próprios leitores do site elegem o que mais importante. O Starbucks usa um sistema aberto para receber sugestões e mais importante do que isso, saber classificar o que e relevante para muita gente do que e algo que apenas um cara quer que seja feito. O Starbucks, que vem passando por resultados ruins, foi criticada no passado por demorar a abraçar a web como ferramenta para se aproximar do cliente. Agora e caso de sucesso, com esse site e também no twitter.
  4. Aproveite as oportunidades, responda rápido. Esse foi um exemplo legal. Mostrou o caso do Ashton Kutcher que soube literalmente aproveitar a onda do twitter e no momento certo usar o que ele tinha de ativos (ate a namorada), para ser a primeira conta no twitter a alcançar 1 milhão de seguidores. Hoje, o sujeito tem mais de 3,6 milhões de seguidores. Não teve que “pagar” nada por isso e esta colhendo os frutos. Virou ate palestrante sobre mídias sociais (vai fazer a palestra de encerramento do evento nessa terça-feira).
  5. Publicidade e conteúdo. Seu anuncio tem que ser legal, bacana. Tem que dar o que falar. Como muita gente já diz, precisa divertir, informar ou prestar um serviço Yusuf mostrou o Burger King como referencia nessa área, ha anos fazendo propagandas que se tornam virais, que muita gente se da o trabalho de procurar e assistir no youtube. Teve sucesso também em redes sociais. Criou o Whopper Sacrifice, em que você precisava ‘sacrificar’ 10 amigos no Facebook e com isso ganhava um cupom para um Whopper grátis Em tempo, o Facebook proibiu o aplicativo.

Yusuf tentou fazer um estudo de caso juntando essas 5 lições para falar do Bing, novo sistema de buscas da Microsoft. Em seguida, passou um video do “natal project” mostrando um novo videogame que não precisa de console. Uma câmera filma e interpreta seus movimentos, servindo para chutar a bola num jogo de futebol, acelerar, fazer curvas e passar marcha numa corrida de F1 e escolher com os dedos qual filme assistir.

Fez também uma demonstração ao vivo de sistema revolucionário, que junta esse “natal project” e o produto conceito “surface” da empresa, com outros acessórios também de cair o queixo. Telas enormes, um assistente digital, interface intuitiva, inteligência artificial. Simplesmente incrível.

Você vai conversar com o computador, olhando no olho do seu digital assistant. Vai puxar com um movimento dos dedos da mão uma foto do celular para uma dessas telas. Ao rever um projeto em 3D, ao andar na frente das telas, as imagens se movem, pois se e 3D, você vai ver a perspectiva real de cada ponto que estiver. Um salto tecnológico maior do que a comparação dos computadores de uma tonelada dos anos 70 que levavam dias para um calculo simples com a funcionalidade de um smartphone atual. Alguém comentou comigo que era melhor do que o computador do Tom Cruise no filme Minority Report. Eu fiquei impressionado, e a plateia toda também.

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Colleen foi a primeira palestrante intersticial do Mixx 2009 em NY. Entre uma palestra e outra, um publicitário fazia uma palestra de 5 minutos respondendo “O que significa revolução criativa na publicidade interativa para você?” Gostei muito do formato. Bom conteúdo, em muito pouco tempo e dava um break entre as palestras mais longas.

Achei muito interessante um comentário dela, no final da mini-palestra, que foi o que me marcou. Disse que a internet não é o destino, mas uma placa de trânsito, de sinalização, que te indica o caminho.

Entender a internet como algo que vai ajudar as pessoas a irem mais longe, a lugares mais legais e que pode permitir muita coisa interessante no mundo real e uma forma e muito bacana. Por sinal, muito semelhante ao posicionamento de longa data do BlueBus.

PS: Hoje estou em Washington, DC, no segundo dia do evento INC500, que está sendo incrível.

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nizan-guanaes

Assisti há mais de um mês a uma aula na Casa do Saber, com Nizan Guanaes, presidente do Grupo ABC e da agência África. Foi o segundo palestrante/entrevistado do curso Grandes Publicitários. Nizan deu um show. Tem uma energia enorme, literalmente “ocupou” todos os espaços da sala que tinha umas 70 pessoas. Cantou, declamou poemas, falou inúmeros palavrões. Não tentou vender uma imagem de bom moço. Um trator, que faz muito e não tem medo de ser quem é. Achei muito legal. Dizem que não é fácil trabalhar com ele. Acredito. E imagino que deve ser terrível mesmo, se você for “mole”.

Nizan Guanaes tem 51 anos, se considera chato, insatisfeito, inquieto. Fala que trabalha muito, 24 horas por dia. Negócio é negar o ócio. Nizan é filho de libanês e no início da carreira foi radialista. Diz sentir o pulso da audiência. Parece ter uma grande habilidade em perceber o que as pessoas estão sentindo, e mudar se for preciso para deixar sua marca, ou vender o produto do seu cliente. Seus ídolos são: GP Investimentos, Odebrecht, Dorival Caymmi. Gosta muito de trabalhar. Mas gosta também de se divertir. “Sou dono do dinheiro e não o contrário”.

Frases

“Vida é um vôo de tripa a tripa”, sobre a finitude da vida, e a necessidade de se fazer, acontecer enquanto você está aqui. Quando acaba não sobra nada.

“No céu não vou conhecer ninguém”, brincando com a possibilidade de ir para o inferno.

“Luto para que Deus acredite em mim”, ao ser perguntado se acreditava em Deus. São Paulo e São Pedro tinham muitos defeitos e foram eles que fundaram a igreja. Quer ser assim também.

“Minha tradição é mudar”.

“Publicidade compete com as vias urinárias”. Tem que ser muito bom, ele precisa vender o produto no intervalo. Se for ruim, todo mundo vai ao banheiro nessa hora.

“É preciso treinar muito para parecer natural”, Fernanda Montenegro.

“Dinheiro é igual um germe, precisa exterminar”, numa piada (acho que sobre a mulher dele). Gosta de ganhar dinheiro. E gosta de gastar dinheiro.

“Prometo glória, não prometo paz. Vá procurar a Thompson, se quiser paz”, em referencia a outra agência. “Meu slogan é Terrível, mas só contra os insetos”, sobre sua fama de mau, trator. “Sou duro, mas os princípios são bons”.

“Sucesso é uma empresa rentável, que você se orgulhe”. Várias vezes vi ele falando coisas que me lembravam muito o livro Double your profits, que é a bíblia do pessoal do GP. “Sucesso é contra sua natureza”. “A vida é domar a natureza”.

“Sou vulgar, mas minha obra não é”.

“Se você não gosta da segunda-feira, tem problema no trabalho. Se não gosta do sábado, seu problema é no casamento”.

“Acredito em talentos, em time. Talentos que viram sócios”.

“O saber alimenta e atormenta”, sobre o que podemos aprender, como podemos melhorar e como a sensação de que não sabemos nada pode angustiar. Isso acontece demais comigo.

“Na China, quando você se aposenta, vai trabalhar para as crianças”.

“Só é possível viver reinventando a vida”. Tem medo de se acomodar. Medo de se repetir. Roberto Marinho fundou a Globo aos 65 anos. Churchill foi um cara com problemas enormes, muitos fracassos. Teve sucesso só no final da vida. O novo livro do Jim Collins, How de mighty fall, comenta bem sobre Churchill.

“No Brasil, megalomaníaco tem vertigem no primeiro andar”. Falando que pouca gente pensa grande no Brasil. Isso é mal visto aqui. Ele quer sempre um sonho grande. É preciso pensar grande e treinar.

“É preciso colocar a sustentabilidade colocar dentro do modelo de negócios. Minhas agencias não são sustentáveis hoje. Não quero enganar. É muito difícil.”

“Todas as cartas de amor são ridículas”.

“Tudo vai mudar, mas o ser humano continua o mesmo”. Me lembrei do DVD O Poder do Mito.

“Niterói é a nossa Sausalito”. Uma comparação legal, mostrando que aproveitamos mal o que temos de muito bom. Nos EUA, os caras tiram “leite de pedra”.

“Se tudo tá fácil é assalto”. “Se tudo tá fácil, você não está no lugar certo”. “Time campeão está sempre sob pressão”.

“Eu olho a árvore pelo fruto”, sobre como avalia as pessoas, projetos. Sempre pelos resultados. E quer ser avaliado assim, pelo que faz, não pelo que os outros falam dele. “Flamengo não vai ser amado pelo Fluminense”. Ele não se preocupa em agradar a todos. “Não sou medroso”.

“Meu negócio é intervalo, é patrocínio”. Por isso entrou em eventos, como os de moda.

“O Brasil em algumas partes ainda é muito antigo”, sobre querer achar que o Brasil é a cidade de São Paulo, cosmopolita, conectada.

Deixar sua marca

Nizan falou várias vezes da sua vontade de fazer coisas maiores, de deixar sua marca. Além dos negócios visando o lucro, há também o Nizan social. Ele usa o mesmo estilo e sua grande influência e conexões para também fazer muito nessa área. Ajudou a reformar o Convento de Santo Antonio. Tem um programa social na África, com foco em educação contra violência sexual em crianças. Atua com o apoio/parceria da fundação do Bill Clinton.

Educação

“Educação é ditadura”, falando da relação dele com o filho. Força a educação dos filhos. Antonio, seu filho, estuda mandarim “na marra”.

Internet

Depois, quando vendeu a DM9 para a DDB, teve que fazer um contrato “non compete agreement” de dois anos, se afastando do mercado publicitário. Disse “devia ter ido rodar o mundo, que iria aprender muito mais”, mas montou o IG. E aprendeu muito sobre internet. Brincou “achei que iria entrar no programa how to be a millionaire e acabei entrando no Survivor”, sobre a dificuldade de lucrar nesse mercado.

TV ainda vai continuar sendo muito forte para produtos de massa. Internet é importante, mas depende de onde você está no Brasil. “Não copie os EUA, os dados demográficos de lá são muito diferentes do Brasil”, disse.

Negócios hoje

Quando voltou para a publicidade viu que precisava de escala. Tem o foco hoje nos países emergentes.

“As coisas nascem nas periferias, nas garagens”. O BRIC é a periferia do mundo hoje. No bom sentido, onde as coisas estão sendo criadas. Interessante essa comparação entre os BRICs e as garagens de empreendedores, uma boa analogia.

O Grupo ABC tem 17 agencias. Busca a gestão com meritocracia. Tem consultoria do INDG. É fã do GP, da Ambev. Ele quer que o ABC seja o nono grupo do mundo, já que o Brasil é a nona economia do mundo. Hoje é o vigésimo.

Pontos que mais me chamaram a atenção

Tem uma energia altíssima, invejável. Uma das coisas que mais me marcaram e que quero cultivar em mim também. Vontade muito grande, pensa grande, aplica o que sabe, procura aprender com os outros.

Não tem medo de ser ele mesmo. Quer ser ele mesmo no grau máximo.

Tem grande cultura.

Ótimas conexões. Conhece muita gente importante e famosa. Isso abre portas, ele chega “nas cabeças” e pode pedir e pensar grande. Sucesso puxa sucesso.

Mesmo tendo um negócio que é meio arte, com altas doses de criatividade, quer aprender com os melhores de gestão, como GP e INDG. Corta custos no que não é essencial. Mas isso é relativo, pois uma sede é essencial para uma agencia de publicidade. Me lembro de uma matéria da M&M falando da nova sede da Africa. Foco em resultados, pressão, não passa a mão na cabeça.

Nizan é mais do que um publicitário, tem visão de negócios, um empreendedor. Conseguiu ir além da área inicial dele, com muito sucesso. Talvez por isso foi o palestrante que mais gostei, pois consegui aprender e me inspirar mais.

O que levei dessa palestra-entrevista:

  • Seja você mesmo.
  • Pense grande.
  • Deixe sua marca no mundo.
  • Não tente agradar a todos.
  • Busque a excelência.
  • Quem faz muito, vai ter alguns inimigos, vai ter gente torcendo contra. O sucesso é solitário, fracasso é solidário.

Meu sócio, Marcelo Carvalho, que também está fazendo esse curso, escreveu um post, talvez mais completo que esse aqui.

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