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Posts Tagged ‘techcrunch’

Hoje é o lançamento do iPad. Quem encomendou nos EUA, hoje vai as lojas da Apple buscar seu brinquedinho. O aparelho está fazendo muito sucesso. Li algumas coisas bem interessantes que me levaram a uma reflexão, levando em conta minha experiência e opinião.

O iPad, como tudo da Apple, é um sistema fechado, ou seja, a empresa tem um controle grande do que entra (o que pode ser instalado, usado, etc). Cada vez mais os sistemas abertos ganham espaço. A grande vantagem de um sistema fechado como o da Apple é que geralmente dá muito menos problema (trava, bugs, etc).

A mídia tradicional nos EUA está apostando todas as fichas no iPad. Acreditam que vai ser a salvação da mídia impressa (jornais, revistas, etc). Eu acho que não vai ser tão fácil assim.

Marc Andreessen, que criou o Netscape, e é uma das pessoas que mais respeito e admiro na internet, deu uma entrevista ao Techcrunch, que deram o título de Burn the boats. Marc recomenda que as empresas de mídias tradicionais fechem suas edições impressas. Só assim elas teriam capacidade de olhar com o cuidado necessário sua operação online e também não teriam o apego (chamado de sunk cost, ou custo afundado) por já terem investido muito na estrutura ligada a operação impressa. Dificilmente as empresas irão fazer isso, e dificilmente (na minha opinião) irão conseguir superar empresas que só operam no online.

Marc perguntou ao reporter do Techcrunch se eles estavam pensando em lançar uma app paga para iPad, com o conteúdo do blog Techcrunch (um dos mais respeitados sobre tecnologia e startups nos EUA). O reporter quase não entendeu a pergunta e fez uma cara de que o cara estava viajando, ou brincando. Marc explicou: o que parece uma piada para um site como o Techcrunch, é a principal estratégia dos sites dos grandes jornais. Porque é tão diferente? Será que os jornais estão míopes?

Outro texto que me levou a uma reflexão foi a piada de 1 de abril do Techcrunh. Eles pegaram o release de 1996 que o NYTimes divulgou quando lançaram o site deles, e trocaram as palavras “web site” por “iPad”. Fez sentido, até um colunista do NYT retuitou o post e o jurídico do NYT entrou em contato pedindo para tirar o texto do ar. A grande piada é que o texto de 1996 com o termo iPad faz todo sentido em relação ao posicionamento dos jornais no iPad em 2010. Ou seja, eles achavam que iriam dominar a web em 96 (o que não aconteceu), da mesma forma que acreditam que o iPad vai ajudá-los a retomar sua posição de monopólio que tinham antes da informação (não deve acontecer rs..).

Cory Doctorow escreveu um post muito interessante no blog dele (Boing Boing) falando porque não irá comprar um iPad (e porque você não deveria). Os principais motivos: sistema fechado, trata o usuário com idiota, usa DRM e contratos leoninos com produtores de conteúdo e consumidores. Ele dá dois exemplos muito interessantes que te estimulam a pensar.

O primeiro é uma comparação do iPad com o CD-Rom, que muitos venderam como a revolução do conteúdo. Não aconteceu, a revolução do conteúdo ocorreu com a internet, com sua bagunça, baixíssima barreira de entrada e facilidade de qualquer um se tornar produtor de conteúdo (e não apenas consumidor).

O segundo exemplo é a app da Marvel (quadrinhos). Ele fala que é fã de quadrinhos e que uma das coisas mais legais de revistas em quadrinhos é poder emprestar, vender, dar para seus amigos. Com a app da Marvel nada disso é possível. Na opinião de Cory, a app da Marvel não tem nada de melhor do que a revista, apenas coisas piores (você não pode fazer várias coisas).

Nesse final de semana comecei a usar e testar o programa Thunderbird para gerenciar meus emails. Quero alguma coisa que funcione com Gmail e Google App (onde estão meus emaisl pessoais e profissionais). É incrível o incrível número de opções, de plugins, de customizações. E também a qualidade de como tudo funciona. Um detalhe: tudo é de graça. Me lembrei de uma frase que ouvi ano passado pela primeira vez: Where opensource enters, wins.

O iPad parece ser muito, muito fácil de usar. E isso é uma (ou a principal) grande vantagem da Apple. Produtos que simplesmente funcionam. Se você usa Windows, essa é uma qualidade que vale ouro. Estou usando cada vez mais produtos Apple (iPod, iPhone, Macbook Pro) e gostando muito da usabilidade, facilidade. É incrível como tudo parece automático, intuitivo.

Outra vantagem do iPhone e do iPad são as apps (programas) que você pode baixar gratuitamente ou pagando muito pouco. Eu tenho diversos pequenos programas no iPhone que me ajudam muito. Para corrida, para distrair meu filho de 2 anos, para ouvir música, tuitar, escrever, editar documentos, etc, etc. A lista é quase infinita. O iPad pode ser usado para algumas coisas que aumentam muito seu valor. Por exemplo: como porta-retrato digital, e como segundo monitor no Mac.

Me lembrei também do celular Nexus One, lançado pelo Google. Segundo um dos maiores especialistas em mobile marketing que conheço, é o melhor celular da atualidade, pela facilidade de uso, recursos, qualidade do aparelho, câmera, etc. A diferença em relação ao iPhone é que ele usa Android, uma plataforma aberta, opensource. Isso dá muito mais liberdade. Primeiro a Apple que não fazia celulares revoluciona o mercado, agora outra empresa de fora desse mercado parece dar o segundo passo. Cada vez mais quem não é do ramo pode/deve conduzir a revolução. Dificilmente a Microsoft vai gerar outra revolução depois das que já vez (computador pessoal, Office), mas outras empresas que trabalham muito bem a usabilidade dos produtos, mas não usam sistemas fechados, podem ultrapassar a Apple.

Eu quero comprar um iPad, até porque faz parte do meu trabalho (e interesse pessoal) entender de internet, gadgets e inovações que podem mudar/melhorar meu negócio. Mas começo a acreditar que empresas que saibam casar a grande vantagem da Apple (facilidade de uso) com sua grande desvantagem (sistema fechado) podem revolucionar ainda mais o mercado, com ótimos produtos (e mais baratos), que serão usados por muito mais gente. Minha aposta hoje (amanhã pode mudar) é que essa empresa é o Google.

Em tempo, escrevi sobre o iPad em janeiro aqui. Se você quer ver a melhor cobertura da fila de compra do iPad, siga o Robert Scoble.

E você, qual sua opinião?

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revista_time_morte_jornais

Tenho lido bastante ultimamente sobre essa longa discussão sobre o fim dos jornais, sobre blogueiros x jornalistas. Alguns comentários pessoais sobre esses temas.

Os jornais vão morrer. Não porque não sabem fazer notícias, mas porque estão no negócio errado. Ainda estão no negócio do papel/impressoras, da distribuição milionária (você já imaginou o trabalho que dá fazer chegar um jornal na sua casa as 06:00hs da matina todo dia?), do controle/monopólio da informação. O mundo hoje é outro (ler abaixo). Parece que nem a Wired percebe isso.

A notícia, a reportagem, o jornalismo vão crescer ainda mais. Um ótimo exemplo é o site Techcrunch. Era chamado de blog, não sei como definir um blog, um site, um portal. Os caras tê um staff relativamente grande e de excelente qualidade. Fazem conteúdo top, como ninguém na área deles. Vendem publicidade, fazem eventos. Têm uma comunidade de pessoas que acompanham e adoram o trabalho deles. Não sei o que vai acontecer com o negócio mídia, publicidade, etc. Eu apostaria que o Techcrunch vai continuar fazendo sucesso. Um novidade, os caras estão estudando lançar uma versão de kindle – ipod touch – netbook. Com a cara deles, e que vai funcionar animal (minha opinião). Enfim, é uma empresa antenada no que acontece hoje no mundo, não tapam o sol com peneira.

Jornalistas bons são raros. Tenho dado várias entrevistas sobre o Kindle. Acho que sou um dos poucos brasileiros que tem um, que escreve bastante sobre isso, logo muita gente me acha fazendo uma busca no google. Em várias entrevistas que dei a jornalistas, teoricamente especializados em tecnologia, as perguntas foram básicas demais. Se tivessem lido 1-2 posts que escrevi, teriam muito mais info do que obtiveram fazendo perguntas rasas. É claro, há exceções.

Jornalistas “top” ainda fazem a diferença. Ler uma Miriam Leitão, Dora Krammer, Noblat, faz a diferença. Eles entendem do assunto, têm acesso direto e livre com as pessoas mais importantes. Têm experiência. Com isso, conseguem produzir textos que valem a pena ler, mesmo quando temos pouquíssimo tempo (quase sempre). Meu hábito de ler jornal é cada vez mais restrito a ler as análises dos colunistas que gosto. Ler matérias e mais matérias que me parecem enche linguiça, escrito por alguém que entende pouco do assunto, não me satisfaz. Talvez por isso cada vez menos gente boa leia jornal. Um exemplo disso é o Eduardo Giannetti da Fonseca, que diz preferir ler The Economist e ouvir rádio quando faz a barba ou está no táxi. Minha avaliação: para escrever tem que entender muito do assunto e pesquisar muito. Coisas básicas, que a “falta de tempo” parece impedir. O Noblat, por exemplo, deu uma palestra incrível esse ano na Campus Party.

Blogueiros bons escrevem sobre o que gostam (e isso conta muito). Logo, entendem muito mais sobre o assunto. Tenho um amigo, que foi cobrir um evento da HSM como blogueiro. Ele disse: em dez minutos de palestra com o Philip Kotler, a lenda viva do marketing, todos os jornalistas tinham ido embora. Iam fazer uma matéria “cobrindo” o evento, com conteúdo do press-release e com uma “aspas” que pegaram no início da palestra. Esse meu amigo ficou a palestra inteira, anotou tudo, refletiu sobre o assunto. Qual produzirá o melhor artigo?

A internet está mudando todos os negócios ligados a conteúdo. Filmes, música, livros, jornais, revistas e rádio. Tudo está ameaçado, especialmente se negar a realidade e acreditar em duendes. Quanto mais tempo as empresas gastarem tempo, esforço e dinheiro tentando reverter o que é irreversível, pior será. O negócio do jornal não é papel, da música não é um pedaço de plástico redondo. É o conteúdo e a relação desse conteúdo com as pessoas e entre essas pessoas.

Chato. Acho chato porque acredito que a maioria das pessoas não conseguiu entender o ponto de vista do outro lado, se repete muito as mesmas coisas. Como um bom mala, resolvi entrar nessa. :-)

Para ir além:

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