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Tenho um iPhone desde dezembro 2007, quando ganhei um 2G do meu sogro. Na verdade, minha mulher ganhou, e eu herdei… Em junho-09, quebrei a tela e continuei com ele por mais uns tempos. Sempre gostando muito. Mesmo com a vergonha de usar um celular quebrado, não “conseguia” trocar por outro reserva. Em setembro do ano passado passei para um oficial 3GS, da Vivo. Gosto cada vez mais, apesar de muita gente torcer o nariz.

Fiz essa lista meio na brincadeira, pois dá para aprender muito com um iPhone sobre marketing. Talvez mais do que num MBA, mas quem me conhece mesmo sabe que não sou dos maiores fãs :-)

14 razões para todo marqueteiro ter um iPhone:

  1. Entender que embalagem e o ato de tirar da embalagem fazem parte do produto.
  2. Produto bom é aquele que não precisa de manual, é tão intuitivo que você se vira muito bem “apenas usando”.
  3. Produto bom não precisa ter todas as especificações que os técnicos acham que precisam. O iPhone não tem flash na câmera, não tinha MMS, não tinha uma enorme lista de coisas que eram considerados “essenciais” por todos os especialistas em telefones de última linha. Vendeu horrores. Faça um produto com foco nos clientes, não nos especialistas nessa categoria de produto.
  4. Um iPhone é um iPhone. As operadoras te prometem um smartphone da Nokia e te entregam um da Motorola, como se fosse a mesma coisa. Experimente fazer isso com o celular da Apple.
  5. Produto de sucesso é um “objeto social”, como descrito pelo @gapingvoid. As pessoas falam sobre ele. É assunto. Gera conversa. Você faz amigos. Uma vez por exemplo, conversei com um cara na fila do Subway porque ele viu o meu quebrado e puxou papo.
  6. O iPhone não é um produto, mas uma plataforma. Você pode ganhar dinheiro com ele, mesmo não sendo a Apple. Há milhares e milhares de programadores ganhando dinheiro, fazendo programas para a App store. Agora todo mundo quer fazer o mesmo. Todo mundo diz que é uma plataforma… Mas a maioria está apenas no discurso.
  7. Não venda só o hardware. O iPhone é legal porque tem inúmeros programinhas (140.000 na verdade) disponíveis. Já vem com um botão Youtube. Você clica e acessa os vídeos. Só os meus amigos especialistas em mobile marketing me falam de aplicativos para outros celulares. Todo mundo me fala de aplicativos para iPhone.
  8. Se você tiver fãs, pode ter alguns (ou muitos) atributos fuleiros. Muita gente fez fila para comprar o iPhone e não era pela lista de funcionalidade que ninguém tinha.
  9. Coisa top dura. A navegação web no iPhone, lançado em 2007, é infinitamente superior a todos os celulares que já vi, inclusive uns top de linha lançados em 2009. Um iPhone 2G não faz feio até hoje. Qual celular de 2007 você ainda acha bonito hoje?
  10. Instalação de programas acessórios é cada vez mais importante. E precisa ser fácil. Instalar o Skype no iPhone é moleza. Mas eu penei para instalar e usar o mesmo Skype num Nokia N63 do meu pai. Fiquei impressionado com a dificuldade, acho que já estou mal acostumado.
  11. Dê poder ao usuário. Com o iPhone é muito fácil postar fotos no Flickr, vídeos no youtube. Muito fácil mesmo, a ponto do aparelho ser a principal máquina fotográfica do Flickr, e o número de vídeos uploadados ter aumentado enormemente no youtube depois do 3GS.
  12. Beleza é fundamental. O design é cada vez mais importante. Beleza visual e beleza funcional.
  13. É incrível, com o iPhone, eu fiz uma uma coisa que pensei nunca mais acontecer: comprar celular. Há tempos esperava a troca grátis da operadora e estava satisfeito. Agora gasto uma grana, onde não gastava antes e acho bom.
  14. Não queira agradar a todos. Os produtos vencedores polarizam as pessoas. E a Apple sabe fazer isso como ninguém.

3 motivos para você não ter um iPhone:

  1. Se todo mundo tem, não ter pode ser uma boa. Pense diferente :-)
  2. Você vai gastar bem menos tempo e dinheiro com celular
  3. A bateria dura pouco e a qualidade do sinal não é das melhores. Você tem celular (apenas) para falar no telefone.

E você, me conte sua lista.

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A Apple anunciou ontem o iPad, seu tablet, muito esperado por todos. O evento em si foi uma demonstração de marketing muito bem coordenado, desde o convite que não anunciava o que seria mostrado até a intensa cobertura na internet sobre o evento. Sou fã da Apple, uso iPhone e Macbook Pro e também gosto muito do Kindle, que foi declarado morto ontem por muitos.

Veja meus comentários sobre iPad, Apple, Kindle e outros possíveis impactos e me diga o que achou. Primeira pergunta: quero um? Sim, claro!

  • A Apple está sabendo usar excepcionalmente bem o que já construiu com produtos anteriores. O iPhone se beneficiou muito do iTunes store que antes vendia só musica e filmes para iPods e agora vende programas. Com o iPad todo esse ecossistema de apps para iPhone se torna mais útil e mais interessante.
  • Produto x Plataforma. A Apple se torna uma plataforma cada vez mais poderosa. Mais de 130 milhões de pessoas têm conta iTunes, com cartão de crédito conectado. Cada vez mais gente quer entrar nessa roda. Mais fácil para gastar dinheiro, e mais fácil para ganhar dinheiro. O interesse por desenvolver aplicativos para promover marcas ou para ganhar dinheiro vai aumentar. As empresas de celulares dormiram no ponto há tempos e parece que a Amazon demorou demais para abrir seu sistema Kindle para desenvolvedores externos.
  • Esse fator plataforma faz com que a força do iPhone e do iPod touch aumente, por incrível que pareça, uma vez que mais gente vai usar/acessar/comprar/pagar os serviços da iTunes e App stores.
  • Faz cada dia mais sentido lançar uma app do seu site, da sua empresa, do seu produto. As empresas/produtos de construções de apps para iPhone/iPad vão ter sua demanda muito aumentada. Eu quero ter uma app do meu blog, da minha empresa, dos nossos portais.
  • A Apple também está cada vez mais conseguindo vender computadores para quem acha que não gosta/entende de computadores. Simples, bonito e funcional atrai muita gente.
  • Um dos grandes problemas da Apple: é muito fechada, muito travada. O sistema do iPhone/iPad é muito mais travado do que de computadores até mesmo como os da própria Apple. Um sistema mais aberto, quem sabe baseado em Android para celulares e tablets possa ameaçar o poderio da Apple. Mas precisa ser algo fácil de usar, coisa que Apple e Google sabem fazer. E na minha opinião, Microsoft e Nokia não sabem, por exemplo.
  • Participação de mercado. Em computadores, ela detém uns 5% do mercado. Com iPhone e iPad pode aumentar sua participação até no mercado de computadores
  • Acho que vai ser um produto matador para anotações em reuniões, com texto, rabiscos e mapas mentais. Será um excelente substituto para agendas e planners. Taí uma oportunidade/ameaça para os fazedores de agendas especializadas – comecem a pensar em construir uma app para iPhone/iPad.
  • Outro uso fantástico será a apresentação de produtos em feiras, reuniões. Pode ser uma excelente ferramenta de vendas, auxiliando vendedores face-a-face com o cliente. Quando vi o produto comecei a pensar como eu poderia usar isso no meu trabalho, e feiras de negócios e reuniões/negociações me pareceu a primeira opção.
  • Consumo de mídia: leitura de blogs, vídeos do youtube, filmes mais longos, visualizador de fotos (como disseram: matou os porta-retratos digitais). Vai ser o melhor uso e o mais comum. Li em uns 2-3 lugares que o iPad vai salvar a mídia tradicional (revistas, tv, etc).
  • Acaba com o Kindle? Eu acho que não, pois o Kindle é excepcional para leitura de livros longos. O que todo mundo diz que ninguém vai deixar de ler livros longos para ler um ebook no computador, eu concordo e acho que é a mesma linha: não dá para comparar a leitura de texto no Kindle com um computador ou no iPhone. A tecnologia E INK é fantástica. Se alguém quiser vender um Kindle DX baratinho, eu quero um :-) E a Amazon vai continuar vendendo livros eletrônicos. A app do Kindle para iPhone vai (deve) funcionar no iPad.
  • A meu ver uma clara reação ao iPad, a Amazon anunciou hoje que terá uma nova opção de contrato, pagando 70% para a editora. Uma grande mudança (antes eram apenas 35%), mesmo que com alguns pré-requisitos. A Apple cobra 30% de comissão para vender Apps e deve cobrar o mesmo pelos livros vendidos no sistema anunciado como iBooks.
  • Um detalhe, vendo os materiais, o site, etc do iPad, aumentou minha vontade de aprender a usar o iWork, o Office da Apple.

O iPad é mais um passo de uma mudança na nossa vida, onde o computador está cada vez mais presente, em todos os momentos. Com um iPhone no bolso, um iPad debaixo do braço e laptop na mochila, computadores e internet vão fazer parte da nossa vida com a eletricidade faz hoje. Como bom teimoso e amante dos livros, acho que vou carregar o Kindle também.

A relação dos meus filhos com o computador (talvez eles nem entendam o que é isso direito, como não entendemos o que é o ar que respiramos e os peixes não sabem que existe água) vai ser muito diferente da minha e da dos meus pais.

Quero estar nessa. E acho que vai ser divertido. :-) E você, o que acha disso tudo?

Assisiti agora a uma entrevista sobre o Kindle, no youtube da TV Cultura, com o aparelho do meu amigo Eduardo Carvalho. Achei bem interessante, por conseguir explicar bem o produto, como funciona, vantagens e desvantagens. Assista ao vídeo da entrevista:

Alguns comentários meus:

  • O maior concorrente hoje é o Nook, da Barnes&Noble, com 500 mil livros de graça e possibilidade de emprestar o livro a um amigo que tenha Nook
  • Ainda há espaço para um leitor exclusivo de livros, como o Kindle, pois nada substitui a leitura, sua experiência única. É o mesmo que achar que um filme substitui o livro, do mesmo romance. É diferente, e mesmo o filme sendo muito mais rico (som e imagem) é difícil encontrar alguém que gostou mais do filme do que do livro. Na leitura você imagina, você inventa, você reflete. Acho que isso é único, e valiosíssimo.
  • O tablet, em especial o da Apple, pode ser o grande concorrente do Kindle da Amazon, por servir como um produto "bom o suficiente" para ler livros, e excelente para fazer muitas outras coisas, como acessar web, email, skype, ver vídeos, etc etc.
  • A grande guerra será a dos formatos dos arquivos de e-book. Eu quero comprar um livro sem DRM, como a O’Reilly Media já faz (e muito bem). Mas as editoras não querem pirataria. Acho que a Amazon ainda não alcançou o equilíbrio entre as duas coisas (protege mais a pirataria, mas não dá flexibilidade justa de uso a quem compra o livro).
  • As fronteiras geográficas vão diminuir muito ainda. Hoje tem livros em formato ebook que estão disponíveis na Amazon para quem mora nos EUA, mas não para quem mora no Brasil. O mesmo não ocorre com o livro impresso, e para mim não faz sentido isso continuar. Até porque burlar não é difícil :-)

Se você quer ver o que o tablet vai conseguir fazer, veja esse outro video:

Uma revolução no mundo das revistas, por exemplo.

Falando em livros eletrônicos, Jorge Carneiro, presidente da Ediouro, deu uma entrevista muito lúcida e inteligente para o jornal Meio&Mensagem da última semana. Gostei muito. Ele disse que não entram em negócios só no achismo, mas também estão certos que o Kindle e outros livros eletrônicos vieram para ficar. Fiquei com a impressão de que ele está conseguindo juntar pés no chão com a cabeça nas últimas tendências. Difícil ver isso hoje em dia. Reforçou a imagem positiva e amigável que tive dele num almoço durante a HSM Expomanagement.

Para ir além, resenhas sobre o Kindle, de três amigos meus, que também têm um, e entenderam o negócio:

Essa semana, meu amigo Marcos Rezende lançou um pequeno e-book sobre meditação, para empreendedores. Marcos é um amigo que aprendi a admirar, inclusive pelas diferenças. Ele é vegetariano, e eu sou um amante da carne vermelha, além de trabalhar diretamente com esse setor. O respeito e a confiança foram duas coisas fundamentais para que essa amizade a distância se fortalecessem, como é de costume em qualquer amizade.

Voltando ao livro. É excelente. Curto e consistente, logo você absorve o conteúdo em pouco tempo. E tem várias chamadas para os pontos mais importantes. Marcos lançou o livro grátis para visualização/leitura online e pago (R$8,90) para download. Outro item que gostei, pois tenho interesse em aprender mais sobre como funciona esse mercado de bens virtuais, na prática aqui no Brasil.

Gostei muito do livro, pois considero o assunto fascinante e fundamental, além de não ser bom no que o livro ensina. Uma ótima oportunidade para aprender. Abaixo meus principais pontos sobre o livro.

  • Harmonia e equilíbrio são características fundamentais da vida. E nos esquecemos muito disso. Se quero produzir muito, fazer a diferença, obter resultados, é fundamental estar em equilíbrio.
  • A ansiedade é um grande problema na vida moderna, e eu tenho grandes problemas com isso. Aprender a meditar pode ser um ótimo caminho.
  • Meditar é voltar-se para o centro. Meditar é focar em algo. Meditar é presenciar o momento. É descansar a mente, esvaziar os pensamentos. É parar um pouco.
  • Há três vícios que a meditação pode ajudar a superar: indisciplina, falta de concentração e apego ao controle. Quando li isso, me dei conta que meditar pode me ajudar muito mesmo, em especial aos dois primeiros pontos. Sou nota quase zero em disciplina e concentração :-)
  • A meditação pode aumentar o auto-conhecimento por meio da auto-observação. Liguei na hora com o livro Desafiando o Talento, que estou lendo agora e gostando muito. As pessoas de alto desempenho fazem isso com frequência e método.
  • Gerenciar a si mesmo é o primeiro passo para a liderança. E se conhecer ajuda a compreender o outro.
  • Como meditar em um parágrafo: 20-30 minutos por dia, de manhã, sozinho, sentado, com coluna e cabeça eretas. Vai ser difícil no início, mas lembre-se dos três vícios que você pretende combater :-)

Lendo o livro, me lembrei que chego a estados semelhantes a meditação quando viajo sozinho, sem som, sem interrupções e quando corro. Por isso a corrida me faz tão bem.

Ler esse pequeno ebook me fez lembrar uma frase/conceito que acredito muito: “a recompensa é a jornada”.

Me lembrei também da pergunta do Tim Ferris: “Você é ocupado ou produtivo?” E me lembro que sempre que tenho bons resultados, estou no segundo estágio. E como é fácil se enganar, ficando ocupado e não produzindo. Eu tenho esse problema, e tentar compensar trabalhando muitas horas não tem funcionado.

Autoconhecimento, autocontrole, compreensão, descanso, relaxamento, foco, concentração, realização, tranquilidade, serenidade, compaixão, discernimento, são alguns dos benefícios conseguidos com a prática da meditação.

Marcos acredita que é possível ter mais negócios bem estruturados, simples, coerentes e responsáveis, por meio da mediação. Interessante e faz sentido.

Engraçado que para meditar, você não precisa fazer nada. E isso é o mais difícil :-)

Vou aplicar esses conhecimentos do Marcos, compartilhados no ebook, para aumentar meu foco, concentração, autoconhecimento.

A raiz de tudo o que agimos, está dentro de nós e somente tendo ação, fala, pensamentos e emoções alinhados é que conseguiremos conquistar a liberdade e a excelência do que somos.

Outro tema que me veio a cabeça ao ler esse livro foi o conceito de fluxo. Há um livro fantástico chamado Flow, que fala sobre desempenho ótimo. E há algumas semanas conversei com o Marcos sobre um produto que ele está desenvolvendo e ele me falou que todo negócio é um fluxo. Entender esse fluxo, melhorá-lo, torná-lo mais livre, como um rio, é uma grande reflexão. E é uma das coisas que quero aplicar nos meus negócios em 2010. Quero ajudar as coisas a fluírem melhor.

Meditar vai me ajudar a me tornar mais sereno. Não mais calmo ou menos enérgico. Acho que essa é a grande chave. Alta energia, com foco e tranquilidade. Não é fácil, mas vou em frente.

Você pode ler o livro online, abaixo.

Outra fonte sobre meditação, é o Grupo Amma, indicada pelo meu amigo Leo Kuba. Pretendo fazer um curso deles em 2010.

Edmour Saiani é um dos meus experts em varejo. Ele tem uma empresa chamada Ponto de Referência. Uma das coisas mais legais que ele faz é uma viagem a NRF (National Retail Federation), maior evento de varejo dos EUA, com uma turma do Brasil, além de trazer novidades e espalhar por aqui em consultorias, palestras, blogs e tudo mais.

Veja essa palestra abaixo, muito curta, muito bom humor e algumas perguntas legais para seu negócio.

Minhas perguntas, depois de ver esses slides do Edmour:

  • Cliente satisfeito ou gente feliz? O primeiro é um pouco difícil, talvez até mais do que o segundo.
  • Mesmice é um problema para você? Pra mim é :-)

Em 2010, quero ousar mais, pensar mais, ir mais longe, de forma diferente, única. Acompanhar @edsaiani me faz pensar que essa jornada é mais fácil.

Aproveite o fim de ano.

Michael Porter fez duas palestras seguidas na manhã do terceiro dia da Expo Managemente, em São Paulo, há duas semanas. Michael Porter é considerado uma das maiores autoridades do mundo em estratégia, tendo escrito alguns dos livros mais famosos sobre o tema.

Ele é daquelas raras pessoas que sabem tanto de um assunto, que já ensinaram, estudaram e revisaram tanto um tema, que tem uma capacidade incrível em explicar de forma simples de entender. Eu fiquei fascinado com a clareza que ele conseguiu explicar estratégia em profundidade.

Esse post é dedicado ao principal insight que tirei da sua primeira palestra. Não tente ser o melhor, seja único. Ele mostrou a declaração de visão e missão de grandes e admiradas empresas brasileiras: Brasil Telecom, Ambev e Embraer. E destacou quantas vezes há a palavra melhor. Foi uma maneira de chamar a atenção, e provavelmente não agradou aos que estavam lá e eram dessas empresas, mas faz parte do show.

Escolha seu cliente e procure ser único. Atenda o perfil de clientes que escolheu, mas não procure atender a todos. Procure se posicionar como único, através do valor que entrega, das competências que desenvolve na sua empresa. Através até da rede de valor que você constrói na sua empresa e fora dela. Tudo pode te ajudar a se tornar único (e não melhor). Eu fiquei pensando em quantas vezes já me vi falando melhor, em quantas vezes já vi bons profissionais falando em ser melhor. E como esse não é o melhor caminho.

Refletir sobre meu negócio e minha atuação pessoal, em todas as áreas, pensando em como ser único e não melhor. Para ser único, você trabalha pela sua excelência individual. Para ser melhor, fica se comparando. Eu me lembrei muito da frase do Nietzsche “Torna-te aquilo que tu és”, que gosto muito e já escrevi sobre isso.

Quando você compete nas mesmas dimensões, tende a tornar o mercado pior, e até menor. Ao competir para ser o melhor, o modelo mental é a soma zero: eu ganho, você perde. Quando compete em dimensões diferentes, a tendência é aumentar o mercado. Se você conseguir isso, sai da soma zero, e sua vitória deixa de depender da derrota do outro.

Ele deu dois exemplos interessantes de empresas com estratégia focada: a IKEA, que faz móveis muito baratos (e atende muito bem a filha do Michael Porter, mas ele não gosta), e a Nespresso, linha da Nestlé, de café espresso ultra-especial, que não é vendida em supermercados (como a grande maioria dos produtos Nestlé).

Eu achei muito interessante. Pensei também em como isso é básico. Em como é simples. E como é difícil e raro de se fazer, de se colocar em prática realmente. Porter ficou aproximadamente 30 minutos falando sobre isso, e achei que valeu o dia.

Para ir além:

Li matérias nas duas revistas que mais gosto, The Economist e INC, sobre o mesmo tema: as mudanças que um novo tipo de tecnologia podem trazer para nossas vidas, num futuro próximo: impressoras 3D. Já existem e são cada vez mais baratas. A quem diz que em pouco tempo teremos uma impressora de coisas em casa, assim como temos uma jato de tinta ligada ao computador.

O que essas impressoras fazem? Tornam muito mais fácil você criar um produto único, com seu design, e produzi-lo mesmo. Talvez daqui um tempo será tão fácil vender uma mesa desenhada por você, como é hoje vender uma música em MP3, ou usando o iTunes.

Algumas tendênciass relacionadas a essa novidade:

  • Maior proximidade do designer e do cliente final.
  • produção distribuída, customização ou individualização em massa.
  • Facilidade de você se tornar um produtor, e não apenas mais consumidor.
  • Estímulo a negócios pequenos, segmentados, especializados.
  • Customização da sua casa, do seu escritório, num nível nunca visto. Você não vai mais precisar comprar uma escrivanhinha igual a de todo mundo na TokStok.
  • Aceleração da tendência de se buscar comprar de quem conhecemos, confiamos e somos próximos (mesmo que virtualmente).
  • Diminuição da barreira entre empresas com enormes fábricas e artesãos digitais.
  • Aumento das ofertas de produtos que atendam ao mercado “faça você mesmo”, ou DIY, como é chamado nos EUA, que tem entusiastas como Tim O’Reilly (que sou fã).

Achei interessante também porque é uma evolução do que acontece nos negócios “digitais”, como música, jornalismo, e agora livros. A revolução que estamos passando no mundo da música inicialmente pode acontecer, em diversos graus, com produtos totalmente físicos.

A matéria da INC inclusive cita que um dos motivos do sucesso da Threadless nos EUA (e Camiseteria no Brasil) – você pode criar um produto.

A revista The Economist fala de impressoras 3D cada vez mais baratas e cada vez mais capazes. Em pouco tempo você poderá imprimir um celular, por exemplo. Hoje você pode imprimir um rack para vinhos, feito de madeira, ou um colar de couro, todo recortado, estiloso e único.

A INC fala muito sobre uma empresa da Nova Zelândia, chamada Ponoko, que fornece a rede e site (pense no iTunes da Apple para música, ou o site da Amazon para venda de livros do Kindle) e aluga as impressoras laser 3D, por minuto. Se você é um designer, faz o upload do arquivo e coloca para vender. Só é produzido depois de vendido. Já tem alguns designers ganhando a vida (barata) assim.

Eu achei muito bacana, e serve como um alerta e um estímulo para pensarmos nos nossos negócios e nas mudanças que a tecnologia ainda vão nos trazer. Hoje a grande estratégia é terceirizar sua produção para a China, em larga escala. Amanhã poderá ser produzir algo totalmente personalizado, “impresso” aqui em Piracicaba, comprado por mim, de um designer no interior de Angola.

Me lembrei também de uma entrevista de um alto executivo das Havainas, que perguntado se não era muito caro fazer tantas personalizações das sandálias, ele respondeu “caro é o que não vende”. Talvez ainda vamos ver personalização em outro nível: o individual.

É a atomização do Made in China, espalhando por dezenas de milhares de lugares do mundo. Podemos achar loucura hoje, mas será que não é a mesma loucura que Henry Ford achou quando sugeriram que ele produzisse carros em outras cores, que não preto, mas um pouco mais caros?

Para ir além: